Agrotóxicos: discutir sim, engolir não

Fórum Nacional, realizado em São Luís (MA), tratou dos impactos às comunidades tradicionais


“Os Impactos da Pulverização Aérea à Saúde, ao Meio Ambiente e às Populações nos Territórios” foram novamente discutidos, nos dias 3 e 4 de agosto, durante 3ª Reunião do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos, sediada em São Luís, capital do Maranhão.

O evento teve participação do Ministério Público, movimentos sociais, academia e sociedade civil.

‘Estamos aqui para dizer sobre o que precisamos, que é o apoio para nos defendermos desses agrotóxicos que estão matando a gente. É uma perseguição contra os trabalhadores rurais, as quebradeiras de coco. Com essa lei (zona livre de agrotóxicos) estamos pedindo um socorro”, destacou Cilene Silva, extrativista que fez parte da Associação de Mulheres Trabalhadora Rurais de Lago do Junco e Lago dos Rodrigues – AMTR. 

Durante o evento foram realizadas visitas a comunidades, reuniões de articulação, visando o enfretamento cooperado, especialmente em face da crescente violência vivida, por comunidades do campo, em relação à pulverização aérea, com o uso de drones, inclusive.

Representada por Ariana Gomes, a Rede de Agroecologia do Maranhão (Rama) levou dados. Eles indicam que só no primeiro semestre de 2026, houveram 255 notificações de casos de pulverização aérea de agrotóxicos, atingindo cerca de 209 comunidades em 33 municípios do Maranhão. São 608 ataques desde 2024.

Foto: Cleyse Guimarães

“Sigo muito preocupado com o caminho que estamos tomando, no nosso país, relacionado a utilização de agrotóxicos.  A situação no Brasil é pioneira, vamos dizer assim, no uso completamente descontrolado de agrotóxicos”, pontuou Dr. Guilherme Franco, da Fiocruz.

Para ele, umas das “grandes derrotas de 2025” foi a mudança na lei do agrotóxico, de 1989. Descrita por Dr. Guilherme como sendo uma referência no mundo. Destacou o uso massivo de drones com finalidades criminosas contra populações.

“O agrotóxico está sendo utilizado para expulsar pessoas”, denunciou.

Larissa Bombardi (representante do Fórum no contexto europeu), por usa vez, lembrou que dos 10 agrotóxicos mais vendidos no Brasil, 7 são proibidos na União Europeia (EU).

“Não estamos falando de pouca coisa, estamos falando do que é central na agricultura brasileira. Por que são proibidos? Porque provocam câncer, má formação fetal, alteração hormonal – isso pode significar problemas de fertilidade, aborto espontâneo – dentre tantos outros problemas de saúde”, pontuou Larissa.

“Deve haver, no mínimo, uma redução sensível (do uso da substância) e uma regulamentação com zonas de exclusão, com uma rigidez muito maior, principalmente com relação à utilização de aeronaves, que tem sido o problema do momento que nós estamos enfrentando”, disse e Cláudio Rebêlo, coordenador do Fórum Maranhense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos.

- Publicidade -spot_img
Colabore com o nosso trabalho via Pix: (99) 982111633spot_img
- Publicidade -spot_img

Recentes

- Publicidade -spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Notícias relacionadas