Rock na Praça 2026: música e solidariedade no mesmo palco

Pedreiras (MA)


A segunda edição do Rock na Praça reuniu música e conscientização sobre o abandono de animais, neste sábado (19), no Parque João do Vale, em Pedreiras (MA). Com a programação musical, o projeto encerrou uma série de ações, desenvolvidas nos últimos meses, com foco nos cuidados com animais em situação de rua.

Organizado pelo Grupo Cultural de Rock Fusão pelo Metal (GCRockFPM), Pedreiras Rock Club e comissão de trabalho, o projeto adotou, nesta edição, a campanha “Animal! Não abandone o seu amigo”, levando a pauta para diferentes espaços da cidade.

No palco, a programação contou com apresentações de Vanytta, Distress, Barbas de Noé, Figure 99 e Pedra Grande. A proposta manteve a característica do Rock na Praça, de ocupar o espaço público por meio da música e de outras manifestações culturais, ao mesmo tempo em que aproximou o público de uma discussão social. 

As ações da segunda edição começaram ainda em julho e incluíram atividades de conscientização, campanha de arrecadação e articulação com pessoas e organizações ligadas à proteção animal.

Segundo Hebrano Gabriel, advogado, integrante da organização e um dos palestrantes do projeto, a intenção foi utilizar a mobilização criada pelo evento para chamar atenção para o abandono de animais e incentivar atitudes de cuidado e responsabilidade por parte da população.

“O Rock na Praça sempre buscou alinhar a proposta cultural do rock com uma atuação social. O rock também carrega uma ideia de fraternidade, união e solidariedade. Por isso, entendemos que o Rock na Praça não deveria ser apenas um evento musical, mas também uma iniciativa que pudesse contribuir de alguma forma com a sociedade”, explica.

Conscientização começa nas escolas

Uma das principais frentes da campanha foi desenvolvida com estudantes do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) e da Escola Oscar Galvão, em Pedreiras. As atividades buscaram conversar diretamente com crianças e jovens sobre guarda responsável, abandono, maus-tratos, cuidados veterinários e formas de ajudar animais em situação de vulnerabilidade.

A médica veterinária Yêza Lorrany, convidada para participar das palestras, destaca que discutir o tema no ambiente escolar também é uma maneira de trabalhar a prevenção do abandono. 

“Mais do que falar sobre animais de rua, nós precisamos falar sobre como evitar que esses animais cheguem à rua. E isso começa com a informação, com a educação e com a responsabilidade”, afirma.

Para a veterinária, adotar um animal exige um compromisso que vai além dos primeiros meses de convivência. Alimentação adequada, vacinação, atendimento veterinário e cuidados ao longo de toda a vida fazem parte dessa responsabilidade.

A escolha das escolas como um dos espaços de atuação do projeto partiu da percepção de que crianças e jovens podem atuar como multiplicadores dessas informações. 

Segundo Hebrano, a recepção dos estudantes foi positiva e revelou que a realidade dos animais abandonados já faz parte do cotidiano de muitos deles. “Os estudantes participaram, fizeram perguntas e compartilharam experiências que já tinham presenciado em seus próprios bairros”, conta.

Durante as atividades, alguns alunos relataram já ter encontrado animais abandonados ou em situação de vulnerabilidade e demonstraram interesse em ajudar, embora nem sempre soubessem como agir. Houve ainda estudantes que procuraram a comissão do projeto em busca de orientação para casos encontrados nos próprios bairros.

Para Yêza, esse contato pode produzir resultados que ultrapassam o período de realização da campanha.

“É um jovem que entende hoje o que significa guarda responsável e pode ser um adulto que amanhã não abandona, que não vai permitir maus-tratos e que também vai orientar outras pessoas”, ressalta.

Comedouros levam ação para outros pontos da cidade

Além do trabalho educativo, o projeto também buscou transformar a campanha em uma ação prática voltada aos animais que já vivem nas ruas. A iniciativa promoveu a arrecadação de recursos para a criação e instalação de comedouros públicos em pontos estratégicos de Pedreiras. A proposta é que as estruturas sejam abastecidas com a participação da população e o apoio de organizações e grupos ligados à causa animal.

De acordo com Hebrano, a comissão também buscou estabelecer parcerias para ampliar a rede de apoio e chamar atenção para a necessidade de atuação conjunta diante do abandono. “Um problema dessa dimensão não pode ser enfrentado por uma única pessoa ou instituição. É necessário unir esforços entre poder público, organizações, iniciativas privadas e, principalmente, a população”, afirma.

Com o encerramento das atividades no Parque João do Vale, a segunda edição do Rock na Praça fecha o ciclo iniciado em julho, deixando a mensagem que orientou a campanha deste ano: o cuidado com animais não termina em uma ação pontual e depende de informação, responsabilidade e participação coletiva.

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