Simplesmente Josés

COLUNA DO PADRE ZÉ


Hoje voltei a visitar o Padre José Alberto. Encontrei-o envolvido por um manto invisível de afeto, tecido pelas mãos generosas dos amigos e pelo cuidado amoroso de sua Diocese. Há presenças que confortam, e há cuidados que falam mais alto do que qualquer palavra. Naquele ambiente sereno, era possível perceber que o amor também sabe cuidar em silêncio.

Quando cheguei, seus olhos pousaram sobre mim com a atenção de quem procura reconhecer uma antiga melodia. Pareciam perguntar, sem pronunciar uma única sílaba: “De novo você veio?” E eu, sorrindo, respondi com a simplicidade que nasce da fraternidade: “Vim visitar meu irmão no Sacerdócio.”

Meu irmão, homem de fibra, coragem serena, guerreiro das batalhas invisíveis que a vocação impõe.

Um homem que atravessou as dificuldades do seu tempo sem permitir que elas apagassem a chama do chamado. Estudou, perseverou, discerniu a voz de Deus e encontrou no estimado Padre Jacinto, hoje Bispo Emérito de Teresina, um apoio seguro, uma presença inspiradora, uma mão estendida nos caminhos da missão.

Recordei diante dele que sua história sempre foi marcada por um amor vocacionado. Deus o escolheu, e ele respondeu com um “SIM” inteiro, sem reservas, um “sim” que já atravessa trinta e nove anos de fidelidade sacerdotal. Após longos anos de estudo, se ordenou Diácono em Sítio Novo, sua terra natal, onde o céu parece ter testemunhado aquele compromisso já definitivo entre um homem e o Senhor da Messe; depois, para alegria e memória da Igreja de Pedreiras, sua Paróquia recebeu a Ordenação Presbiteral.

Sua personalidade sempre carregou os traços da discrição. Introspectivo, tímido por natureza, jamais foi tímido para anunciar o Evangelho.
Quem ama verdadeiramente a Deus encontra voz mesmo no silêncio. E assim aconteceu com ele. Fez de sua vida um púlpito permanente, levando a Palavra aos corações por onde passou. Paulo Ramos, Pedreiras, Capinzal do Norte, Santo Antônio dos Lopes… cada comunidade guarda marcas de seu Ministério, como quem conserva as pegadas de um pastor que conhecia o caminho do rebanho.

Um homem de pulso firme, de liderança autêntica, cuja autoridade nascia da coerência entre o que pregava e o que vivia. Sua voz forte, um vozerão inconfundível permanece ecoando na memória do povo através da gravação da Missa de São Benedito. Uma verdadeira relíquia espiritual, que todos os anos, volta a tocar os corações pelas ondas da Rádio Sonora da Paróquia e Santuário, como se o tempo se curvasse para ouvir novamente aquele pastor.

Um pregador admirável, Sacerdote íntegro, homem honesto e ricamente adornado por virtudes que não buscavam aplausos, mas frutos.
Sua grandeza nunca esteve apenas nas palavras, mas sobretudo nas obras que permanecem. E entre essas obras há uma que se ergue como símbolo de sua visão e de seu amor pela comunidade paroquial: o Anfiteatro que sonhou e construiu.

Cada vez que amplio aquele espaço, cada reforma que realizo, cada melhoria que acontece, sinto que não estou apenas preservando uma estrutura de concreto. Estou honrando uma história! Estou dando continuidade ao sonho de quem compreendeu que evangelizar também é construir lugares onde a fé possa reunir o povo, celebrar a esperança e fortalecer a comunhão. Ao despedir-me, compreendi que algumas vidas não precisam de monumentos de mármore, porque já se tornaram monumentos vivos na memória de um povo.

Padre José Alberto pertence a essa rara categoria de homens que fizeram da própria existência uma homilia permanente. E enquanto houver alguém que recorde seu testemunho, sua voz continuará anunciando Deus, suas obras continuarão evangelizando e seu “sim” continuará florescendo no coração da Igreja, como uma árvore antiga que, mesmo atravessando os invernos da vida, nunca deixou de oferecer sombra, abrigo e esperança.

Todos os dias, rezo para que retorne logo à sua Paróquia de Santana Mestra em Pio XII onde seus olhos já marejam de saudades e ergue forte a sua cabeça quando lhe digo: “Você brevemente voltará para Pio XII”. Ele me responde balançando sua cabeça positivamente.

Por Pe. José Geraldo Teófilo, reitor do Santuário de São Benedito, pedagogo e psicanalista clínico.

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