O desfile da independência em Pedreiras (MA) e seus bastidores
Uma prefeita sob palmas, carregando uma bandeira, seguida pelos secretários de seu governo. Para a organização do desfile alusivo ao 7 de setembro, em Pedreiras (MA), essa seria a cereja do bolo, o grand finale, o The End, mas logo atrás, no meio da avenida, havia uma pedra, ou melhor, uma comitiva formada por vaqueiros, simpatizantes da vaquejada e 30 cavalos a galope, ao som do Hino Nacional. Avançaram até chegarem ao cruzamento do Banco do Brasil, diante do palanque ainda ocupado por autoridades militares, políticas – incluindo Fred Maia, Secretário Adjunto de Assuntos Municipalistas – e servidores. Ali, pararam por poucos minutos.
“Estamos comemorando um ato cívico, nada a ver com ato político”, bradou Tony Maranhão, jornalista encarregado pela locução do desfile. “A cavalaria não faz parte do ato cívico. Foi invadida a avenida”, reclamou em alto e bom som.
Na cavalaria estava nossa versão abrasileirada de Rambo, figura indiretamente alvo das indiretas do esposo da prefeita, e o ex-prefeito Raimundo Louro, que já esteve no lugar de relevância política hoje ocupado por Fred.
Duas fontes ouvidas pelo Jornal O Pedreirense relatam versão diferente do que fora dito diante da passagem da pequena comitiva. Uma delas traz um outro detalhe de bastidor.
“Eles (organização) não queriam. Estavam muito incisivos, uma certa intimidação, sabe?”, relata fonte, sobre contenda a respeito da passagem do pelotão de motociclistas, que acabou acontecendo, segundo fonte, graças à relutância de José Geraldo, reitor do Santuário de São Benedito, após ameaçar levar seu povo e realizar um desfile paralelo no Anfiteatro. “A gente acaba aqui mesmo, antes de entrar na avenida”, teria supostamente dito o padre.
Essa fonte também confirmou que a passagem da comitiva vaqueira constava no script. “Os cavalos já estavam na programação do desfile”, relatou fonte, que acredita que o boicote poderá ter sido motivado por questões políticas. “A ideia é que seriam os últimos”, informou.
Francisco Herleson, um dos integrantes da comitiva, afirmou ao OP que o pelotão constava na programação e que iria acompanhar o Santuário de São Benedito. “Para deixar bem claro: quem ficou responsável pelo pelotão dos cavalos, representando o Santuário, fui eu, não foi o Raimundo”. Ele defendeu a participação da cavalaria por fazer alusão à resiliência e à bravura nordestina.
“Orgulho de manter viva a tradição dos vaqueiros nordestinos, a essência da cavalgada e a bravura da vaquejada, símbolos inestimáveis da cultura e da resistência do nosso povo”, afirmou Francisco, em uma postagem numa rede social.
O OP levou ao Secretário de Educação, David Ximenes, via WhatsApp, questionamentos a respeito dos fatos relatados. Diante do que chamou de polêmicas, “dobrou a esquina”.
“O nosso desfile foi um sucesso, agradecemos grandemente a participação de todos, não vamos entrar em polêmicas quanto a alguns pelotões, e sim maximizar a bela festa que apresentamos na avenida, com a colaboração das nossas escolas, alunos e famílias”, escreveu Ximenes.






