OPINIÃO
A recente decisão do presidente Donald Trump, em seu retorno à Casa Branca, de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, a partir de 1º de agosto de 2025, representa mais do que uma medida econômica: configura-se como um ato explícito de chantagem político-tarifária, visando livrar da justiça brasileira o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, inelegível e réu no Supremo Tribunal Federal – STF, por chefiar uma organização criminosa – ORCRIM, responsável pela fracassada trama golpista.
Essa atitude chantagista estadunidense prejudica o comércio internacional e funciona como mecanismo de coerção diplomática. Sob a justificativa de disputas comerciais e interesses estratégicos, a medida atinge frontalmente setores produtivos nacionais nos dois países e explicita a fragilidade das relações exteriores baseadas na subordinação. Nesse contexto, impõe-se ao Brasil a posição firme e o desafio de reafirmar sua soberania econômica e política, rompendo com posturas alinhadas automaticamente às potências hegemônicas nortistas e adotando uma diplomacia que priorize a autonomia nacional, a defesa dos setores estratégicos e o fortalecimento de uma agenda multilateral urgente, notadamente com seus parceiros do BRICS, Europa e Ásia.
Essa ação unilateral dos Estados Unidos se insere em um contexto mais amplo de disputas comerciais internacionais, que caracterizado pelo surgimento de novos players globais, a exemplo da China e, revela como o protecionismo, em certos momentos, é utilizado por grandes potências como estratégia de dominação geoeconômica. Além disso, essas tarifas impostas ao Brasil, são uma agressão ao país e à população brasileira. No mínimo, pode-se dizer que há desinformação e equívocos por parte o presidente dos EUA. Afinal, sabe-se que desde 2009 eles têm superávit da balança comercial com o Brasil. Dos 10(dez) produtos que eles mais exportam, oito não pagam nada de imposto e a tarifa média de importação é 2,7%.
Algumas lideranças e personalidades internacionais se juntaram ao Presidente Lula e reagiram à medida de Trump, classificando-a como instrumento de coerção e intimidação. Enquanto o presidente brasileiro prometia retaliação, o réu e inelegível Jair Bolsonaro e seus aliados apoiaram a decisão e culparam o governo atual pela situação. Isso tem nome e digitais. Chama-se complexo de vira-lata. Situação em que alguém se coloca para baixo e acha que tudo que vem de fora é melhor, não valorizando sua própria cultura, inteligência, economia e moral.
Mas, por que culpar o governo brasileiro? Na realidade a posição do republicano é taxativa, literalmente falando: Trump critica o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e as eleições no Brasil. Segundo Trump, a decisão de sobretaxar o Brasil é uma resposta direta ao que chamou de “censura” a redes sociais americanas, por parte do governo brasileiro. Ele também mencionou críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), acusando a Corte de promover ataques à liberdade de expressão. Note que o que há por trás dessa descabida e injusta taxação dos EUA é uma chantagem do tipo, “acabem com as acusações contra Bolsonaro eu retiro o tarifaço”.
É importante destacar que há muita desinformação e má-fé nos discursos que procuram confundir os papéis das instituições brasileiras. O Brasil é uma república democrática, cujos poderes são independentes e soberanos. As decisões do STF não representam ações do governo, mas sim deliberações do Poder Judiciário, que atua com base na Constituição Federal. Cabe lembrar que o STF desempenhou um papel central na defesa da legalidade democrática e no enfrentamento das tentativas de ruptura institucional promovidas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, reafirmando seu compromisso com a preservação do Estado de Direito no país.
A posição do governo brasileiro em defesa da soberania nacional tem sido firme. Afinal, o Brasil não é quintal de ninguém. “O Brasil não aceitará imposições norte-americanas”, disse o Presidente Lula. E acrescentou, em nota publicada nas redes sociais, que “o Brasil não aceitará ser tutelado por ninguém e que a elevação unilateral de tarifas sobre exportações brasileiras, anunciada por Donald Trump, será respondida com base na Lei da Reciprocidade Econômica”.
Enquanto não chegar o 1º de agosto de 2025, a diplomacia brasileira deve se manter tranquila e não se precipitar reagindo de qualquer forma à essa insustentável decisão dos EUA. Afinal Trump mostrou-se tanto no primeiro e já agora no seu segundo governo, um verdadeiro bravateiro. Esperar para ver.
Até que se concretize a aplicação das tarifas anunciadas para 1º de agosto de 2025, a diplomacia brasileira deve agir com prudência, evitando reações precipitadas diante de uma medida insustentável e de caráter claramente político por parte dos Estados Unidos. O histórico do ex-presidente Donald Trump — tanto em seu primeiro mandato quanto neste novo ciclo (não se tem certeza de que concluirá, grifo meu) — demonstra uma tendência à retórica agressiva e à adoção de medidas unilaterais de impacto simbólico e bravateiro, nem sempre sustentadas por articulação institucional consistente. Diante disso, a estratégia mais sensata, por ora, é observar os desdobramentos com cautela, mantendo firme a defesa da soberania nacional e da estabilidade das relações comerciais.
“Depois da glória ele me enviou às nações que vos despojaram; porque aquele que tocar em vós toca na menina do seu olho” (Zacarias, 02:8).
“O Mal Por Si Só, Se Destrói”. Em nota publicada em 15 de julho de 2025, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil — que representa importantes setores empresariais — solicitou ao governo Trump que reconsidere a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A entidade, vinculada à U.S. Chamber of Commerce, a maior organização empresarial do mundo, destacou seu compromisso com o fortalecimento das relações comerciais e advertiu que a medida pode comprometer o fluxo econômico entre os dois países. A mesma nota ainda acrescenta: “Mais de 6.500 pequenas empresas nos EUA dependem de produtos importados do Brasil, enquanto 3.900 empresas americanas investem no país. O Brasil é um dos 10 principais mercados para as exportações dos EUA e o destino de quase US$ 60 bilhões em bens e serviços americanos todos os anos”.
Dito isso, se ainda restava alguma dúvida a brasileiros genuinamente comprometidos com a democracia sobre a natureza autoritária e antirrepublicana da atuação da família Bolsonaro, a aliança oportunista e danosa com Donald Trump aniquila qualquer incerteza. Trata-se de uma convergência política que expõe, de forma explícita, o desprezo por instituições democráticas e o alinhamento com práticas de desestabilização e chantagem no cenário internacional. Tudo isso tem um objetivo (Já antecipo, não se concretizará): salvar Jair Bolsonaro do julgamento pela tentativa de golpe de Estado. Os membros da família Bolsonaro — em especial os filhos Flávio e Eduardo — têm protagonizado ações que se inserem em um contexto de traição aos princípios constitucionais e de conspiração contra a segurança nacional, os interesses estratégicos do país, a estabilidade econômica e o bem-estar do povo brasileiro. Tais condutas, incompatíveis com a responsabilidade pública e o compromisso com a democracia, devem ser rigorosamente apuradas e, se confirmadas, exemplarmente punidas, a fim de preservar o Estado de Direito e reafirmar que não há espaço para a impunidade em regimes verdadeiramente democráticos.
Por fim, em face da irracional chantagem político-tarifária promovida pelo governo Trump, reafirma-se a urgência de o Brasil adotar uma postura soberana e estratégica em suas relações internacionais. A subordinação a interesses externos, especialmente quando articulada a projetos autoritários e economicamente danosos, compromete não apenas a autonomia nacional, mas também os direitos sociais e o desenvolvimento interno. É necessário que o país fortaleça sua política externa com base na defesa do interesse público, na diversificação de parcerias e na construção de uma inserção internacional pautada pela dignidade, pela autodeterminação e pelo compromisso com a justiça global.
Por José Edson da Silva Barrinha, Professor e Geografia do IFMA/Pedreiras






