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domingo, abril 14, 2024

Quando a autonomia de uma mulher incomoda outra, o buraco é bem mais embaixo

OPINIÃO


Percebemos o abismo colossal que é tratar sobre o papel da mulher para além dos cômodos de uma casa, sobretudo, quando presenciamos falas misóginas como as da jornalista Eliane Cantanhede, ao opinar, na última sexta-feira (11), com pensamento machista e por consequência, conservador, sobre qual deveria ser o lugar de Janja, esposa do presidente eleito Luíz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto primeira-dama do Brasil.

Durante a fala da comentarista, ela, enquanto mulher, jornalista, detentora de um mecanismo de manutenção de poder no espaço em que ocupa, limita e impõe qual deveria ser o papel da futura primeira-dama do país. “O presidente é o Lula. Tudo tem limite, tudo que excede pode dar problema e há um incômodo com o excesso de espaço que a Janja vem ocupando. Ontem, quando o Lula fez aquele discurso em que ele chorou quando falou da fome, quando ele derrapou ao desqualificar a responsabilidade fiscal, ela estava ali sentada. Mas ela não é presidente do PT, ela não é líder política. Qual é o papel da primeira-dama?”, questionou.

Em seguida, a jornalista relembrou outras primeiras-damas do Brasil e a comparou com Ruth Cardoso, esposa de Fernando Henrique Cardoso. “Um bom exemplo de primeira-dama foi a Ruth Cardoso, que, como a Janja, tinha brilho próprio, era professora universitária, uma mulher super respeitada na área dela e cuidou da Comunidade Solidária, mas ela não tinha protagonismo, não tinha voz nas decisões políticas, se tinha, era a quatro chaves, dentro do quarto do casal”, afirmou em posicionamento, “naturalmente” reproduzido no âmbito de uma sociedade machista.

Eliane, com uma vasta experiência no mundo da comunicação, em pleno 2022 deixa claro a sua maior preocupação nesse posicionamento, quando sublinha até mesmo o fato de Janja ‘estar sentada ali’, projetando o protagonismo que vem construindo, ao lado de Lula, em um ambiente majoritariamente liderado por homens. Este é o seu incômodo. Mas ela ignora o fato de que a futura primeira-dama, diante de tal postura, representa milhões de brasileiras que lutam por direitos iguais e pela ocupação de espaços que dizem não serem nossos.

É importante dizer que Janja é militante histórica do PT, era integrante do partido desde muito antes de conhecer Lula: ela se filiou com dezessete anos, em 1983, e anos depois chegou a trabalhar na liderança do PT na Assembleia Legislativa do Paraná.Janja tem bacharelado e licenciatura em ciências sociais e pós-graduação em história pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), além de MBA em gestão social e desenvolvimento sustentável. É socióloga formada pela Universidade Federal do Paraná (UFPR)

O jornalista André Trigueiro, em resposta à colega de trabalho Eliane Cantanhede, frisou: “a Janja nesse Governo não será propriamente alguém que vai cumprir o dever de dona de casa subserviente ao marido. Lugar da mulher é aonde ela quiser”, disse o comentarista surpreso com a fala da colega.

A presidente do Partido dos Trabalhadores e deputada federal, Gleisi Hoffmann, escreveu: “me apavora o machismo incrustado na cabeça de mulheres ditas esclarecidas, onde estereótipo dos papéis delegados a nós é o importante. Desprezível fala de Eliane Cantanhede s/ @JanjaLula.Ter opinião e participação política é direito de TODAS nós mulheres! Sem essa de primeira dama”, ressaltou.

O machismo assusta, quando o pensamento machista parte de uma mulher, jornalista, que atravessou momentos históricos da política no país, assusta mais ainda. Para tanto, ao contrário que foi dito, Janja, não só enquanto primeira-dama, tem voz, tem protagonismo e representatividade!

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Mayrla Frazão
Mayrla Frazãohttps://www.opedreirense.com.br
Jornalista - Centro Universitário de Ciências e Tecnologia do Maranhão (UniFacema)
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