Tarifas comerciais norte-americanas, reciprocidade diplomática e Doutrina Monroe
A doutrina Monroe, cunhada pelo presidente James Monroe, não começou como uma ideia de dominação dos EUA na América Latina, mas como uma forma de proteger continente de interferências externas, principalmente da Europa, a qual teve diversos episódios de hostilidades com países da América Latina no século XIX e no inicio do século XX, como a invasão do México pela França, a guerra hispano-americana relacionada a independência de Cuba e o bloqueio naval da Venezuela imposto pela Alemanha e pelo Reino Unido.
Posteriormente, o jornalista John L. O’Sullivan cunhou o termo Destino Manifesto, o qual se baseia na crença de que o povo estadunidense é especial, assim como suas instituições e de que eles têm uma missão, que teria sido dada por Deus, de fazer o Ocidente se espelhar em sua imagem de liberdade, ordem, democracia e republicanismo. Esse termo justificou, inclusive, a anexação do Texas aos EUA, fazendo com que o México perdesse esse território, assim como baseou as outras várias intervenções dos EUA nos países latino-americanos e justificou seu imperialismo.
Porém, na época da Guerra Fria, a disputa por áreas de influência entre os EUA e a URSS fez com que a Doutrina Monroe tomasse uma forma mais dominadora, sobretudo após Cuba se tornar comunista. Como os EUA acreditavam na Teoria do Dominó – a qual se um país se torna comunista, outros da mesma região também se tornariam – eles começaram a tentar frear essa expansão comunista com interferências diretas e indiretas nos países da América Latina.
Na nova atualização dessa doutrina, a Donroe, praticada pelo presidente Trump, as formas de exercer essa dominação utilizam a coerção militar e outras medidas coercitivas com componentes novos, como a imposição de tarifas comerciais e ameaças. Com o Brasil não seria diferente. Os EUA têm usado de tarifas comerciais para tentar interferir e intimidar. Até mesmo a classificação como grupos terroristas de facções criminosas tem viés imperialista, pois permite maior interferência dos EUA no Brasil caso entendam ser necessário.
A medida mais recente: retirada do visto da Embaixadora do Brasil em Washington, mesmo que o argumento da reciprocidade diplomática seja invocado, no fundo, é mais uma medida que tentar pressionar politicamente e interferir no país mais importante da América do Sul.
Por Gisella Morais, formada em Relações Internacionais e Economia, com Pós-graduação em Gestão Pública.






