“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”
Nesta segunda-feira (08), as cidades de Pedreiras e Trizidela do Vale iniciaram a semana com uma forte mobilização social. A sociedade pedreirense e trizidelense se reuniu em um ato de solidariedade e protesto em favor do jovem Apolo, que denuncia um espancamento.
O ponto de partida foi o Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA ) – Antigo Olindina Nunes Freire, de onde a população seguiu em marcha solidária até o 19º Batalhão da Polícia Militar de Pedreiras. A mensagem central estava estampada nos inúmeros cartazes carregados por jovens, alunos do IEMA e colegas da vítima: “Justiça por Apolo!”
O protesto não apenas pedia justiça, mas também denunciava a violência desproporcional que, segundo relato, teria sido cometida contra o estudante por um agente da polícia militar. O acusado, que já foi afastado de suas funções, está preso preventivamente. Ele contesta a versão da vítima.
A ação em frente ao 19º Batalhão da Polícia Militar de Pedreiras, somada à intensa repercussão do caso nas redes sociais neste último fim de semana, demonstrou a força e a capacidade da mobilização social.

“O nosso ato não é um ato por vingança, porque vingança a gente faz com raiva e com ódio. É um ato por justiça. Espero que o Ministério Público (MPMA), na pessoa do promotor e da promotora que está conduzindo o processo, que o juiz, o delegado, o capitão possa juntar-se a todos mais e fazer com que a justiça possa acontecer. E quero dizer a cada um dos meus alunos que o importante da construção da cidadania é justamente a gente não se calar diante das injustiças.”, manifestou o professor José de Sá Barreto, em fala durante o protesto.
Um dos momentos mais tocantes foi a participação da mãe de Apolo, Antônia Iris, que caminhou ao lado dos manifestantes, trazendo a dor e a resistência de toda uma família. Emocionada, deu seu depoimento à população.
“Eu quero justiça pelo meu filho, meu filho foi torturado. O policial espancou meu filho, simplesmente porque ele namorava com a enteada do policial. Meu filho não estava roubando de jeito nenhum. Eu sei quem é meu filho, ele me ajuda em casa. É um menino de bem.”

A manifestação reforça que a voz do povo pode ser um instrumento poderoso contra a injustiça e a opressão, transformando uma dor individual em um símbolo de luta e resistência. O engajamento da comunidade sublinha que episódios de violência não podem ser tratados como um ato isolado, mas sim como um sintoma de questões sociais mais profundas. Essa dimensão da luta foi sintetizada por Francisca Silva dos Santos:
“Violência contra jovens, negros, pobres e periféricos não é coincidência. É uma realidade que precisamos enfrentar. E hoje, ao nos levantarmos por apoio, nos levantamos também por todos os meninos e meninas que já foram denunciados (erroneamente) pela lei. Nós queremos paz, nós queremos respeito, nós queremos dignidade, nós queremos justiça, justiça verdadeira, completa e transparente”.
Entenda o caso
As marcas espalhadas pelo corpo de um jovem negro denunciam a gravidade de uma violência. O acusado de tê-la praticado é um Policial Militar (PM), de quem, fardado ou não, se espera equilíbrio. As imagens, por si só inaceitáveis, se espalham pelas redes sociais. A situação repercute, provoca revolta e posicionamentos de pessoas e organizações.
Na manhã deste sábado (06), a vítima (17 anos) descreveu, ao jornal O Pedreirense, o que, nas palavras de Antônia Iris, sua mãe, teria sido uma tortura.
“Me amarrou e começou a me chutar de novo… Começou a me bater de mangueira. Os vizinhos escutaram e parece que acionaram a polícia”, narra a vítima. “Ele mexeu no celular avisando que tinha pegado um meliante”, acrescentou. Na versão do jovem a violência teria como pano de fundo o relacionamento entre ele e uma enteada do agressor.
O afastamento
“Informo que o policial denunciado por agressão a um adolescente em Trizidela do Vale foi imediatamente afastado de suas funções operacionais no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Pedreiras. A Polícia Civil já instaurou inquérito para rigorosa apuração criminal do caso. Vamos garantir todo o apoio jurídico, psicológico e social à vítima e à família. Não toleramos condutas ilegais, e qualquer envolvido responderá às sanções previstas em lei”, publicou o governador Carlos Brandão (PSB), em suas redes sociais.
O afastamento do policial militar, que é acusado de tortura por um jovem de 17, também foi confirmado em nota da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), divulgada pelo Imirante, nesta manhã de domingo (07).
“A Secretaria de Estado da Segurança Pública informa que, imediatamente após tomar conhecimento dos fatos, a Polícia Militar afastou das funções operacionais o policial citado na denúncia. Também foi instaurado, no dia 05/12, procedimento para rigorosa apuração do caso.
A SSP reforça que o sistema de segurança não compactua com condutas ilegais praticadas por seus agentes e que as investigações serão conduzidas com total rigor. O procedimento instaurado pela Polícia Militar irá apurar todas as circunstâncias, e o policial envolvido está sujeito às sanções legais previstas em lei.”
“Me amarrou e começou a me chutar de novo… Começou a me bater de mangueira. Os vizinhos escutaram e parece que acionaram a polícia”, narrou a vítima, em entrevista concedida ao jornal O Pedreirense. “Ele mexeu no celular avisando que tinha pegado um meliante”, acrescentou. Na versão do jovem a violência teria como pano de fundo o relacionamento entre ele e uma enteada do agressor.
A prisão preventiva
Após o anúncio de afastamento do cargo, a Justiça determinou a prisão preventiva do Policial Militar, Francisco Assis Cavalcante. Ele passará por procedimentos legais, exames de corpo de delito e logo após será encaminhado ao 19º Batalhão da Polícia Militar de Pedreiras, aonde permanecerá sob custódia.
Ainda neste domingo, a defesa do PM se manifestou através de uma nota contestando as acusações.
“Contesta veementemente as versões apresentadas pela suposta vítima e por seus familiares, bem como repudia os áudios e as desinformações disseminadas por terceiros, que não condizem com a realidade dos fatos”, diz nota assinada pelo advogado Cleves Oliveira de Holanda.
Por Joaquim Cantanhêde, Mayrla Frazão e Cleyse Guimarães






