23.6 C
Pedreiras
segunda-feira, fevereiro 16, 2026

Chica com X não é todo dia: te entendo Ben

Crônica de domingo


Foi em uma agradável noite, sob o céu de São Paulo, que ouvi o refrão “Xica da, Xica da, Xica da, Xica da Silva, a negra”. Na ocasião me encontrava com uma amiga, a Dani, também do Maranhão que também fora para participar de um congresso. A conheci pessoalmente naquela noite e claro, jornalismo foi o assunto predominante. Em meio a um mundaréu de possibilidades, optamos por um lugar com cara de quitanda, uma pegada mais analógica, com uma varada no primeiro andar, lâmpadas de luzes amareladas, podrão responsa e um som ambiente que, além do bom gosto, possibilitou a conversa.

Quantas músicas tocadas durante nossa estada? Não sei! Mas Jorge Ben e sua “Xica da Silva” foi, sem sombra de dúvidas, um presente. Aliás, minhas viagens a São Paulo são sempre marcadas por alguma música que pega. Foi assim na primeira, em 2018. Ainda na universidade, atravessamos parte do país com o objetivo de visitar alguns veículos de comunicação conhecidos nacionalmente. À noite, com tempo livre, encontramos um lugar com um nome para lá de sugestivo: “Confraria das ideias”. Cinco conto a entrada. Não prometeu nada mais entregou tudo, incluindo “Toda menina baiana” de Gilberto Gil.

Semanas depois da última estada por lá, em 2025, de patins por algumas esquinas de Pedreiras (MA), Xica da Silva caiu como uma luva na playlist. Se o esporte, por si só, traz uma sensação de liberdade incrível, imagine sobre essa frequência rítmica. É muito poder.

“A imperatriz do Tijuco
A dona de Diamantina
Morava com a sua corte
Cercada de belas mucamas

Num castelo, na chácara, na palha
De arquitetura sólida e requintada
Onde tinha até um lago artificial
E uma luxuosa galera
Que seu amor João Fernandes, o tratador
Mandou fazer, só para ela”

Não sei se Jorge canta, proseia. Os dois certamente. Nada surpreendente para o pai de A Tabua De Esmeraldas.

Que Xica é essa moço? Que mulher poderosa foi essa? Que João Fernandes foi esse? O que ela trazia consigo a ponto de ser o amor dela? Se você [leitor(a)] topar comigo por aí, meio que em transe, relaxe. Esse matutado é um sinal de que estou vivo e música continua sendo um vetor criativo em meu cotidiano.

Me apaixonei e quando isso acontece o natural é querer saber mais.

Descobri que sua história rende debates que vão do protagonismo feminino, Brasil colônia à ideia de Democracia Racial. Escrevo este artigo num domingo de Carnaval, logo, deixo as postulações sobre o que é verdade ou mito para outro dia. Deliberadamente escolho a Xica com X. Sim, porque ela se chamava Francisca da Silva de Oliveira, tendo nascido entre 1731 e 1735 no antigo Arraial do Tejuco, Diamantina, Minas Gerais.

“Muito rica e invejada
Temida e odiada
Pois com as suas perucas
Cada uma de uma cor”

Tenho para mim que Xica (que virou filme) não passava despercebida e isso, entendo, ia muito além da sensualidade que lhe é atribuída. Quer se goste ou não de quem ela foi, seu nome ficou, ecoou, num tempo em que não havia lugares nos espaços e memória para mulheres, menos ainda negras.

Na geografia do África Brasil (1976), décimo quarto álbum de estúdio de Jorge Ben Jor, Xica é a sétima faixa, antecedida por Taj Mahal e sucedida por A História De Jorge e Camisa 10 Da Gávea.

Para findar duas dicas: valorize as Xicas que você tem em sua vida, pois são raras; ouça Jorge Bem!

- Publicidade -spot_img
Colabore com o nosso trabalho via Pix: (99) 982111633spot_img
Joaquim Cantanhêde
Joaquim Cantanhêdehttp://www.opedreirense.com.br
Jornalista formado pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
- Publicidade -spot_img

Recentes

- Publicidade -spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Notícias relacionadas