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domingo, abril 14, 2024

‘Politicamente correto’: ditadores mimados com verniz de bondade

A revolução não é a sublevação contra a ordem preexistente, mas a implantação de uma nova ordem que vira a tradicional pelo avesso

José Ortega Y Gasset

O advento das redes sociais expandiu a interação entre o produtor de conteúdo e o público alvo da mensagem. Contudo, a emissão do conteúdo, outrora restrita por grandes veículos de comunicação, vêm perdendo espaço com o passar do tempo, ou seja, os canais vêm dividindo a atenção e audiência com as redes sociais.

Pessoas que antes desconhecidas, hoje ganham visualização graças ao conteúdo nas mídias digitais, tendo como diagnostico de audiência os números de inscritos em seus canais.  Personalidades comuns ganharam destaque por sua maneira de conversar com público.

A internet veio para ficar e vejo com bons olhos a interação e democratização na produção variada de talentos expostos nas mídias digitais, que sem elas não teriam vozes. O problema é quando o humorista ou youtuber são forçados a opinarem sobre temas que fogem o conhecimento pessoal.

Grande parte dos nomes de destaque nas redes socias, não são conhecidos por sua intelectualidade, sabedoria, ou história de vida, mas por simplesmente se destacarem e representarem um enorme número de pessoas, com base em algum talento. Existem vários exemplos de pessoas que da noite para o dia passaram a terem milhões de inscritos, o que representa fama e visibilidade. Com isso, a atenção da mídia, marcas, convites para eventos, etc. Bingo! Encontra-se o ‘pote de ouro ‘ tão sonhado! 

Deixo claro que não vejo problema em alguém se destacar por meio do humor, que é o caso do piauiense, Whindersson Nunes, que por meio do talento vem se destacando nas redes sociais. Cito, também, o ‘garoto foca’, Felipe Neto, com seus milhares de seguidores, conhecido por suas declarações em vídeos que, segundo ele, direcionado para público infantil.  Esclareço, que o objetivo desse texto não é analisar o conteúdo produzido por cada influencer, mas analisar a maneira como o ‘politicamente correto’ tem seduzido esses personagens.

O problema, é quando o Digital Influencer, que é um indivíduo que possui um público fiel e engajado em seus canais online, passa a ser assediado por líderes políticos com a promessa de mais inscritos, ou o ‘cancelamento’, que é a propaganda ou campanha para derrubar a popularidade do mesmo Influencer. Até que ponto é seguro entrar nesse jogo?

As marcas têm visto nos Digital Influencer uma forma de disseminar conteúdo e formar opinião de certo nicho, quer seja por idade, interesse comum ou, até mesmo, fator decisivo na compra de um produto.

Hoje em dia, tem sido propagado o termo ‘politicamente correto’ de maneira pejorativa. O que aparentemente seria algo bom, é apenas uma maneira de mascarar e moldar a realidade segundo as ideias dos ‘ditadores do bem’. É importante que você leitor tenha ciência de como essas regras morais podem interferir na sua maneira de comunicar e agir. Para assim, não serem tentados a entrarem no ritmo desse movimento degradante e doentio.

O ‘politicamente correto’ não é algo que nasceu no Brasil. Ele entrou na Europa, América do Norte, América do Sul, tomando conta dos principais meios de comunicação, escolas, universidades, algumas empresas, e enfim, adivinha? Na sua casa! O tal: isso não é pode, mas porque não pode? Não pode, porque é ‘tóxico’. Algo ruim. Termos como: feminismo, machismo, masculinidade tóxica, ‘antifascista’, ‘inclusão’, ‘meu corpo minhas regras’, etc.   

A origem da palavra perde o sentido quando a máscara da ‘ditadura do bem’ aparece. Com ela, você é forçado a engolir ideias e termos, para não ser caluniado, ridicularizado, separado do meio que vive. Simples assim!

Temos o exemplo recente do ‘garoto foca’, Felipe Neto, que abraçou o código de conduta do ‘politicamente correto’, que é flexível a cada novo movimento ‘escolhido para santo’ pelos grandes veículos de comunicação, artistas, lacradores, etc. Dos mesmos criadores do ‘ninguém solta a mão de ninguém’, ‘fique em casa’, estreia o ‘tome a vacina, não importa os efeitos colaterais’. Como o garoto foca precisava exibir seu legado de ‘intelectual iludido’, logo abraçou o pacote da ‘ditadura do bem’, ao berrar nos quatro cantos os temos batidos pelos ‘revolucionários ifood’.

O ‘politicamente correto’ é uma bola de neve viciante que cresce a cada modinha. Muitas falas, promessas, ‘eu nunca’, ‘jamais farei’, juramentos e sentenças, com a intenção de manter o público fiel alimentado com frases de efeitos, que nada geram de bom.

O perigo está quando o Digital Influencer se torna preso as suas promessas. Na frase: “quanto maior o inimigo, maior a queda’, a linha vai encurtando, até que um dia tudo estoura. Enfim, a mascará cai e o fulano é exposto ao ridículo. Felipe Neto, devoto do “fique em casa’, foi flagrado em uma partida de futebol com os amigos. Qual o problema de jogar futebol? Nada! A hipocrisia está quando o ‘garoto foca’ deixa de fazer o que ele acredita para manter a cartilha do ‘politicamente correto’ atualizada.

A mesma turminha que aplaude, é a mesma que joga pedra, ou apenas vira as costas, como preço da indiferença. É tentador para os ‘famosos’, ‘artistas’ e ‘Digital Influencer’ desmiolados entrarem nesse ciclo de degradação pessoal.

Quem era Felipe Neto antes de se curvar e tornar-se símbolo desse sistema de conduta pobre que se alimenta de popularidade em troca do pensar por si? José Ortega Gasset comenta na obra A Rebelião das Massas, o quão é destrutivo ter um número enorme de pessoas que seguem ideias, ideologias, sem o senso crítico pessoal. É suicídio intelectual. É vender a alma e a capacidade de pensar por si, para ser apenas um meio de regras, alienações e delírios fantasiosos.

No caso do Felipe Neto, ele pediu desculpas dizendo que jogou como goleiro, e que esteve se cuidando, que passou álcool em gel em todos os lugares. Surgiram vídeos dele jogando em outros dias. Enfim, vale a pena tamanha hipocrisia e mentira? Vale a pena ser o bobo da corte e ferramenta de manobra?

“A função da ideologia ‘inclusiva’ não é incluir alguém, mas excluir aqueles que representam uma ameaça à nova classe política. Isso explica o destino de Rocco Buttiglione, político italiano, presidente da União dos Democratas-Cristãos e Democratas de Centro, que perdeu seu cargo por causa de suas convicções cristãs ortodoxas”, esclarece o professor e filósofo britânico, Roger Scruton.

No jogo da ‘ditadura do bem’, se der play, terá que reproduzir as frases feitas, jargões e falácias sem pensar. Como resultado: a grande mídia vai apoiar, terá visibilidade em programas. Até o Roda Viva, que outrora foi o maior programa de entrevistas no Brasil, o garoto foca participou. Já se a ‘ferramenta’ não mais exercer o protocolo de frases e ideias construídas, o sujeito é ignorado, cancelado. Do nada, a turminha que antes aplaudia, hoje simplesmente rejeita. Dessa maneira, os níveis dos formadores de opiniões caem, dando lugar para marionetes ideológicas.

“Já houve momentos em que o ‘politicamente correto’ foi uma verdadeira ditadura, sobretudo no campo cultural e intelectual. Escritores e artistas não se atreviam a sair do esquema ditado pela correção política. Isso teve efeitos muito negativos sobre a universidade, o pensamento e até a criatividade. Se você tem que pensar e criar de acordo com certos moldes preestabelecidos, você perde a liberdade e a espontaneidade, e os resultados são obras pobres, medíocres, sem ambição”, comenta o intelectual Peruano e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa.

O ‘politicamente correto’ é uma armadilha para mentes que preferem reproduzir o que é imposto. Busque pensar por si. Caso não tenha clareza sobre determinado tema, não é errado dizer que tem uma opinião. É sempre mais fácil e cômodo copiar do que construir suas ideias com base em experiências e reflexões.

Por Elmadson Almeida, jornalista

Obs. As opiniões manifestadas por nossos colunistas são de responsabilidade deles. Este portal sempre e unicamente se manifesta por meio do editorial.

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