26.6 C
Pedreiras
segunda-feira, dezembro 15, 2025

O suplente está nu

OPINIÃO


Quando, por força do jornalismo, me ponho a escrever sobre essa figura, cabe a insistente lembrança de que não é nada pessoal. Quantos tutanos ele suga? Por quantos quilômetros caminha? Detalhes desinteressantes quando não há interesse público. Sou apenas um observador do meu tempo e das coisas. Fred é parte das peças na estante da conjuntura, só isso. Para o universo, tanto ele quanto eu, insignificantes.

No mundo da política, sim, ele tem seu grau de relevância, quer gostemos ou não. Consegue dialogar com parte de um eleitorado que enxerga virtude no modo cabra macho de ver a vida. Nitidamente, diante de seu projeto de deputado estadual, ele foi alinhavando o discurso, incluindo palavras mais elaboradas, inclusive. O rei, contudo, continua ali, na barriga.

Na tarde desta segunda (18), me deparei com um vídeo dele, como tantos outros, retratando momentos de muita ocupação, natural para um suplente. Tinha a ver com comida, mas nesse caso o arroz ainda estava cru. Cenas de uma suposta entrega de alimentos a igrejas, diz ele que adquiridos com a grana que arduamente conquistou após processar desafetos, entre eles, repórteres.

Em meio a tantos vídeos, esse me mostrou o Fred em sintonia com a fama conquistada, tão evidente como quando incorporou o xerife da pandemia. O maior líder político do Médio Mearim é nada mais, nada menos, que alguém brincando de fazer política, pervertendo seu sentido. Brincando de poder. Ele se esbalda.

Na ‘peça publicitária’, de muito péssimo gosto por sinal, o cristão alegórico leva para avenida sua benfeitoria, mas faz do fato de ter processado seus inimigos a nota tônica do conteúdo. Celebra, nas entrelinhas, com demasiado tesão, a ponto de sua suposta bondade ficar em segundo plano. Diminuta. Na mão de gente assim a política é uma “arma” e não um instrumento para o bem.

Na panela os alimentos terão um sabor diferenciado, pelo menos no caso dos repórteres. Fred é só um, dos muitos políticos brasileiros, que investem numa empreitada judicial contra jornalistas. Apoiado, inclusive, por inúmeros amantes da democracia. Quer a fama oriunda da política, mas não tolera críticos. Contra esses sua retórica não é tão cordial.

Vozes antagônicas precisam continuar ecoando e desnudando-o. A sociedade perde quando vozes subversivas se calam.

Como de praxe, não trago ao final conclusões. Entendo que questionamentos são sempre mais estimulantes. Aqui vão alguns: em que momento da história política local a mediocridade virou referência? Em que momento, nós pedreirenses, tidos como mais politizados que os vizinhos de Trizidela, vimos representatividade na pequenez e na arrogância travestida de bondade? Quando hipócritas passaram a achar que nos servem como líderes? Em que vala enterramos, enquanto povo/comunidade, nossa criticidade?

Nesses tempos de política e políticos medíocres, oro para que a chuva não demore. Antes dela sempre vem o vento.

- Publicidade -spot_img
Colabore com o nosso trabalho via Pix: (99) 982111633spot_img
Joaquim Cantanhêde
Joaquim Cantanhêdehttp://www.opedreirense.com.br
Jornalista formado pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
- Publicidade -spot_img

Recentes

- Publicidade -spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Notícias relacionadas