23.7 C
Pedreiras
sexta-feira, fevereiro 27, 2026

Enxurrada do Carnaval deixou alertas; Defesa Civil aponta problemas, ferramentas e saídas


Diz o ditado que o ano só começa após o Carnaval, mas para Pedreiras, o início de 2026 trouxe um alerta urgente antes mesmo da quarta-feira de cinzas. As fortes chuvas que encerraram o Carnaval da Princesa transformaram avenidas em rios, expondo a fragilidade de um sistema de drenagem que já não comporta o clima atual. 

De acordo com Raí Brito, Diretor da Defesa Civil do município, a cidade enfrenta um cenário de “emergência climática”. Destaca que o sistema de escoamento atual, projetado na década de 60, não suporta mais o volume de água concentrado em curtos períodos.

“Nossa drenagem, principalmente da parte central da cidade, é bem arcaica, ainda da década de 60, e com poucos milímetros de chuva consegue passar uma enxurrada em várias ruas. Tanto na nossa principal avenida, a Rio Branco, quanto na Benilde Nina, na Miguel Atta. São muitas as ruas que sofrem com essa questão de enxurradas”, explica Brito.

Os problemas de infraestrutura encontram um inimigo adicional: o descarte irregular de resíduos. Mesmo com a coleta regular, a Defesa Civil relata que em vários pontos da cidade é possível observar o descarte de lixo que obstrui a passagem da água, provocando colapsos estruturais, como o ocorrido em 2022, quando um bueiro entupido causou a queda de uma ponte no bairro São Francisco. Com isso, Raí Brito deixa um pedido à população: 

“Se temos coleta regular em todas as ruas de Pedreiras, não faz sentido ter lixo jogado nos nossos cursos hídricos. Não faz sentido ter lixo disposto no meio ambiente, jogado nas ruas, entupindo bueiros. Então, aqui eu conclamo a população de Pedreiras a ter um pouco mais de consciência ambiental, a pensar Pedreiras com o coração, pensar Pedreiras como se fosse a sua casa. Esse acho que é um pensamento que todos nós devemos adotar diariamente.” 

Além da água, o solo e o vento também castigam a cidade. Em janeiro, vendavais destelharam uma igreja e derrubaram postes no Povoado São Lucas, além do tombamento de árvores, como foi o caso na Prainha e na Praça do Goiabal. Além disso, é necessário uma atenção constante a deslizamentos. Só no dia da entrevista, 23 de fevereiro, a Defesa Civil registrou quatro ocorrências de deslizamentos. 

O órgão mantém o monitoramento constante através de boletins diários e ferramentas que simulam o impacto de possíveis inundações, para priorizar o atendimento às famílias. É a chamada Sala de Emergências Climáticas. Para a gestão dessas crises, a Defesa Civil de Pedreiras auxilia a população através da Central dos Desabrigados, uma unidade ativada sempre que o transbordamento da calha do rio atinge áreas residenciais. 

Essa operação é regida pelo Plano de Contingência, um documento que norteia a administração pública e define responsabilidades específicas: a Secretaria de Infraestrutura se encarrega da montagem de abrigos, enquanto a Secretaria de Assistência Social realiza o cadastramento das famílias atingidas ou em situação de risco iminente. 

Além disso, o órgão utiliza uma plataforma tecnológica integrada ao Ministério da Defesa para simular cotas e identificar antecipadamente quais casas serão afetadas, permitindo um direcionamento estratégico sobre quem deve ser priorizado durante o socorro.

Entretanto, o monitoramento sozinho não resolve o problema estrutural de Pedreiras. A solução depende de um “Plano de Redução de Riscos” que ainda busca captar recursos junto ao Governo Federal. A meta é realizar investimentos em drenagem profunda na tentativa de finalmente sanar o problema da Avenida Rio Branco e enquanto o recurso não chega, a cidade segue dependente de planos de contingência para gerenciar desastres anunciados. 

Pedreiras vive um ciclo, todos os anos, e as chuvas representam para a população a incerteza de ter sua casa atingida. O problema persiste por vários fatores: crescimento da cidade sem planejamento estrutural, onde o desmatamento em áreas destinadas a conjuntos habitacionais não considera a natureza; há também a questão do descarte de lixo em locais por onde a água deveria passar e um sistema de drenagem que funciona como uma peça de museu. Sem uma reforma profunda na infraestrutura e uma mudança real na consciência ambiental de quem vive e constrói na cidade, problemas como este continuarão sendo a notícia de todo início de ano.

O diretor da Defesa Civil de Pedreiras concluiu deixando um alerta: “Mais uma vez conclamo a população de Pedreiras para tomar consciência ambiental e em qualquer situação de percepção de risco, como as enxurradas que nós temos anualmente aqui na Avenida Rio Branco, não tente atravessar. Você que mora em uma área mais elevada também, percebeu um poste inclinado, uma árvore inclinada, contate a Defesa Civil. Iremos fazer uma vistoria, caso seja necessária alguma intervenção, também faremos. Preservar vidas é nosso lema.”

Equipe da Defesa Civil de Pedreiras. Diretor Raí Brito e Alice Lopes. Foto: Cleyse Guimarães.

O diretor Raí Brito disponibiliza sua própria linha para situações de emergência, com atendimento disponível a qualquer hora do dia: (99) 99182-9638. 

Por Cleyse Guimarães.

- Publicidade -spot_img
Colabore com o nosso trabalho via Pix: (99) 982111633spot_img
- Publicidade -spot_img

Recentes

- Publicidade -spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Notícias relacionadas