“MAYRLA FRAZÃO, D’O PEDREIRENSE”
O OP nasceu da vontade e esperança, de quatro jovens (Mayrla, Joaquim, Irisvaldo e Vini Junior), de mudar o cenário da comunicação local, diante dos expressivos dados divulgados pelo Atlas da Notícia em 2019 que colocava Pedreiras no mapa dos “desertos de notícia”. De lá pra cá, o nosso trabalho foi ocupando espaços inimagináveis, dentro e fora da nossa região e aqui vai mais um lugar pro OP chamar de seu: a Jornada Galápagos de Jornalismo 2026.
Após quase 10 dias, a jornada acabou. Mais de 800 inscritos, 200 entrevistados, 29 jornalistas, de cada canto do Brasil, foram selecionados para mergulhar, durante duas semanas, em uma capacitação voltada às diversas frentes do jornalismo e entre 29, estava eu, Mayrla Frazão, cofundadora do OP, que sem sequer imaginar estava escrevendo uma parte importante da minha e da nossa história no jornalismo.
A Jornada Galápagos foi uma linda resposta a inquietações que tive quando fui selecionada: o que uma jornalista independente, do interior do maranhão, tem a oferecer, em um dos eventos mais importantes da comunicação? O que Laura Diniz, a responsável pela minha seleção, a quem serei eternamente grata, viu em mim para me colocar ao lado de jornalistas incríveis de todo Brasil? Quem sou eu pra estar no meio de tanta gente grande?
Durante dezessete dias de convivência com outros jornalistas, que se tornaram amigos e colegas de profissão, as respostas foram se revelando em cada um, através das histórias de coragem, do amor pelo trabalho, do desejo de mudança, da curiosidade e vontade de aprender e fazer um jornalismo mais humano.
Lá o jornalismo independente foi grandão e estava bem representado por Tatiane Macena, fundadora do Periféricos, um jornal independente de Aracaju- SE, que nasceu do seu trabalho de conclusão de curso (TCC). Um oásis na periferia de Aracajú. Jhoária Carneiro, do portal Piauiensidades, realiza um jornalismo crítico e social de luta e manifesto no estado do Piauí e Leandro Lopes, de Pernambuco, fundador da revista digital Manguetown, que traduz a força, diversidade e a arte de Pernambuco em textos.
O jornalismo do Complexo do Alemão (RJ), também estava bem representado na jornada, por João Vitória, do Cigarra Lab, um laboratório de comunicação que abraça a cultura da periferia e cotidiano através de diversos formatos, o audiovisual é um deles.
E o que dizer de Natália Melo, de Belém-PA, do Amazônia Vox, Camila Garcêz, de Amazonas, jornalista no Greenpeace Brasil, Isabelle Maciel, comunicadora popular de Santarém-PA, cofundadora do Tapajós de Fato, e Hannah Lydia, coordenadora de comunicação no Comitê Chico Mendes? Mulheres que defendem a Amazônia e os direitos de comunidades tradicionais através do jornalismo.
A Jornada Galápagos tem uma coisa bonita: ela reúne jornalistas de diferentes lugares, experiências e tamanhos de redação, mas não cria hierarquias entre essas histórias. Estar ao lado de quem trabalha em grandes veículos não faz ninguém se sentir menor, pelo contrário.
Foi enriquecedor dividir esses dias com Nadedja Calado (SP), repórter e apresentadora da rádio CBN, Paola Ferreiras (SP), jornalista na Folha de São Paulo, Uesley Durães (SP), repórter no UOL, Bianca Nogueira e Mariana Lopes (CE), repórteres no jornal O Povo, Nayara Zanetti (MG), do jornal Tribuna de Minas, Davi Carlos (RJ), repórter na Agência Sputnik Brasil, Mariana Braga (AP), repórter no grupo Rede Amazônica, afiliada Globo, David Cardoso (BA), repórter na Band de Salvador, Vitória Campos (MT) e João Gabriel (RR), repórteres no G1, Gabriella Autran (PE), editora no portal Folha de Pernambuco, Lara Trindade (ES), produtora do Balanço Geral do Espírito Santo e Kizzy Abreu e Carla Mello, do veículo de notícias GZH digital.

Há também quem trabalhe em um grande veículo, mas construiu no TikTok um espaço que é só seu, como a jornalista Jaqueline Noujorks (MT), que entre uma reportagem e outra, aparece em suas redes sociais para nos lembrar dos desafios de ser mulher numa sociedade que nos mata todos os dias. Estar com ela nessa jornada também me fez refletir sobre a coragem de permanecer sendo a gente enquanto se escolhe contar histórias, nossas histórias.
Perceber a diversidade de profissionais e de caminhos que nos trouxeram até ali foi lindo. Cada um carregando consigo experiências de uma forma particular, mas com uma imensa vontade de aprender cada vez mais, como Fernanda Tubamoto, editora de jornalismo na comunicação do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. E talvez seja justamente essa diversidade que torna essa jornada tão potente. Cada pessoa chega com uma história, mas, por alguns dias, nossas histórias se cruzam e deixam umas nas outras um pouco daquilo que somos.
Uma coisa sabemos, a jornada Galápagos de jornalismo foi fôlego a quem já trilha na estrada do jornalismo independente com garra e entraves, como Felipe Corona, de Porto Velho (RO), colaborador no Voz da Terra e Habyner Lima, jornalista investigativo de Natal, (RN). Mas também foi inspiração a quem buscava novas respostas de mudança para seu território, como o jornalista Neto Vinhas, assessor de comunicação do Poder Legislativo Municipal do Amapá e futuro jornalista independente.
Cada trajetória parece caber na mesma mesa, porque o que nos aproxima não é o tamanho do veículo onde trabalhamos, mas o compromisso com o jornalismo que queremos construir. É um espaço onde ninguém precisa diminuir a própria caminhada para reconhecer a caminhada do outro.
Mas como o OP foi amado em voz alta?
Eu não sabia, mas bem antes de pisar na jornada Galápagos 2026, o OP já inspirava e a pergunta que fiz lá no início desse texto sobre ‘o que que eu tava fazendo ali’, foram sendo respondidas sempre que alguém chegava e perguntava sobre o nosso trabalho com curiosa admiração. Há algo muito bonito nisso (eu tô achando tudo lindo): perceber que um projeto que nasceu para contar as histórias da minha cidade, Pedreiras (37.050 habitantes) também passou a despertar sonhos em outros lugares do país.
O OP, assim como todos os veículos independentes que estiveram nessa jornada, não mostrou que existe apenas um jeito de fazer jornalismo, mas também que há coragem em criar o próprio caminho. E talvez essa seja uma das maiores forças do jornalismo independente: quando a gente constrói um espaço para contar a nossa história, sem perceber, pode estar ensinando alguém a acreditar que também pode construir o seu.
No fim, a jornada Galápagos de jornalismo 2026 regou sementes, sementes que se tornarão novas iniciativas, com jornalistas dispostos a ocupar seus territórios e ecoar vozes. Se o OP inspirou outros profissionais a criarem seus próprios veículos, então parte dessa história já nao pertence só a nós. Que possamos nos emaranhar cada vez mais nessa rede.
Agradecimento especial à equipe Galápagos por nos proporcionar um treinamento rico e inesquecível:
Alecsandra Zapparol, Rudah Poran, Adriana Ferreira, Laura Diniz, Cristian Suguimoto, Malu Borges, Cris Bartis, muito obrigada !






