EDITORIAL
Setenta e cinco dias. Esse foi o período de duração da censura imposta pela Meta Platforms, empresa de tecnologia controlada por Mark Zuckerberg, ao perfil do jornal O Pedreirense no Instagram. Ainda que a continuidade de nosso trabalho não dependa da presença em redes sociais, o silenciamento foi danoso, por dois motivos: tratou de deixar inacessível parte de nossa memória, construída ao longo de quase sete anos; de forma abrupta, desconsiderou a relevância que adquirimos, no que diz respeito ao jornalismo local, ao informarmos nossas comunidades, com profissionalismo, responsabilidade e qualidade.
Nossa ausência foi sentida. Não poucas vezes nossos profissionais foram indagados por leitores (as) que não mais achavam o OP no mecanismo de busca do Instagram. “O que houve?”, “vão resolver?”, foram perguntas recorrentes e por vezes de respostas exaustivas, porque nem mesmo a redação compreendeu o que estava acontecendo.
Rede social não é terra sem lei. Inclusive, defendemos a sensata regulação, mas nenhuma cesura, venha de onde for, pode se dar sem o mínimo detalhamento das causas que a motivaram, mas ainda se esta for contra veículos locais tão importantes em um país ainda marcado pela escassez de informação local de forma profissional e confiável.
São muitas as reflexões (este jornal se debruçará sobre elas em outro momento) que esta censura nos sugere, mas ainda por não se tratar de um fato isolado. No mesmo período outras contas também desapareceram, incluindo perfis de organizações parceiras.
Aceitar com passividade essa violência, ainda que simbólica, nunca foi uma saída cogitada. Tão logo fomos notificados pela Big Tec, adotamos as medidas apontadas por ela. Mesmo assim a censura foi mantida, como dito na notificação, de forma ‘definitiva’.
A partir daí só nossa boa vontade com misto de desesperança não resolveria.
Apresentamos então, ao advogado Dr. Eduardo Ferro, ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, subsecção Pedreiras, o pé em que a situação se encontrava. Fomos informados sobre o êxito de seu trabalho quando a Meta Platforms impôs censura ao Santuário de São Benedito, em 2025.
O perfil do OP nos foi devolvido graças à uma liminar assinada por Bernardo Luiz de Melo Freire, Juiz Titular da 4ª Vara da Comarca de Pedreiras. Ela contudo, não caiu do céu. Foi fruto do atencioso acolhimento do fato, do diálogo franco e o senso de urgência de Dr. Eduardo, uma prata da casa, que soube conduzir nossa peleja quando nada mais poderíamos fazer. Por meio dele contamos com a justiça.
Não basta ser um bom advogado, é preciso conhecer os caminhos das pedras, ter sagacidade e saber com quem está lidando. Isso, entendemos, vem sendo fundamental, já que a liminar não encerra o caso.
Assim como no jornalismo, a jurisprudência pede conhecimento e vocação. Muito mais do que ter um espaço virtual estabelecido, esse recorte de nossa história prova que os “milagres” dos “santos de casa” são mais rotineiros que a imaginamos e percebamos. Na advocacia, no jornalismo, na medicina, nas ciências sociais, Pedreiras tem suas referências e isso precisa ser ratificado, em alto e bom som.






