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segunda-feira, abril 15, 2024

Bairro Maria Rita: o palco da vez sob a lona política

OPINIÃO


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Desde sua criação, ainda loteamento, o agora bairro Maria Rita vem rendendo, como se diz por aqui, ‘pano pra manga’. E digo mais: há ainda muito por render. A última questão envolvendo o local é um episódio repleto de desinformação e por incrível que pareça, com parte da imprensa local endossando-a. Mas este não é um fenômeno novo, na verdade, é mais comum do que se pensa. A diferença é que agora é potencializada nos átrios das redes sociais.

O óbvio aqui é fundamental. A decisão por suspender o processo licitatório, até que se prove o contrário, não tem natureza partidária. Atuais ilações neste sentido se acham franzinas em decorrência de provas não apresentadas. Que nome se dá a notícias sem provas? A decisão jurídica foi assinada pela Dra. Ana Gabriela Costa Everton, Juíza de Direito Titular da 2ª Vara do Ministério Público do Maranhão, por motivos detalhadamente elencados em um documento, público por sinal.

Leitor (a), é racional pensar que o MP, por sua representante, tomaria uma decisão notadamente impopular apenas pelo fato de uma das empresas concorrentes supostamente não saber perder? É exatamente esta a tese vendida por parte de nossa imprensa, agentes públicos, vulgos intelectuais e consequentemente moradores do bairro Maria Rita.

Não sejamos inocentes a ponto de pressupor que a oposição não fará uso político da situação. É claro! Inversa a ação seria a mesma. Não há, contudo, qualquer sinal de uma oposição forte (falarei disso em outro artigo) a ponto de, via decisão judicial, paralisar o que nem começou. Aliás, em um contexto de separação de poderes isso é ilógico. Se ocorresse não seria pelas vias da legalidade. Reitero: as acusações endossadas por parte da imprensa local estão, até aqui, destituídas de provas. Narrativas neste sentido apequenam o próprio MP. Reduz este órgão importante e por vezes apático, é verdade, a uma marionete dos interesses pessoais dos que povoam nossa arena política.

É importante perguntar: que oposição? Quem efetivamente faz enfretamento ao governo de Vanessa Maia? Humberto, o sumido? Alexandre, o exilado? Antônio França, que cá para nós, só se manifesta em datas especiais e cujo governo fracassou diante das demandas do Maria Rita? Não vão me dizer que é Raimundo Louro, cuja preocupação do momento é eleger sua cria.

Nem vou falar de Simplício. Esse, politicamente, está mais para lua em dia de eclipse do que oposição. A preocupação dele no momento está a quilômetros de distância do Maria Rita. E pensar que, até outro dia, era o nome mais ovacionado na política local.

A história do Maria Rita é marcada por ausências, uma delas do ensosso deputado Vinícius Louro. Com cargo na Assembleia Legislativa do Estado, esta luta dos moradores nunca foi uma bandeira categoricamente levantada por ele, que não tem cultura de movimento social. É outro da safra de políticos que fazem da coisa pública projeto de poder, calando ou se manifestando quando convém.  Seu mandato com relação ao que chama de “sua terra”, Pedreiras, beira a insignificância, que deverá ser refletida nas urnas. Está mais do que na hora de pensarmos: que importância tiveram os mandatos de Vinícius Louro? Que diferença fizeram para esta municipalidade? Como diz a música, “gente não quer só comida”.

Oposição efetiva só há uma, a de Katyane Leite, e sozinha dificilmente fará verão.  É preciso que se prove, caso tenha havido influência dela na decisão e de que forma essa influência teria sido exercida. Acusações desta natureza e gravidade não podem ficar no campo da ilação, haja vista que desaguam no descrédito do próprio MP perante a opinião pública, que os governistas tanto defenderam quando este referendou a validade da candidatura de Vanessa Maia, cuja eleição, dizia uma das chapas concorrentes, configuraria um terceiro mandado do esposo, ex-prefeito da cidade vizinha.

Katyanne, que é lembrada por ter integrado a gestão de Antônio França e defendido sua reeleição, certamente usará o fato para ratificar as suspeitas que recaem sobre o processo e com isso colocar em xeque a idoneidade da gestão “Tempo de Reconstruir”. Munição para isso ela tem.

Apesar das narrativas políticas sobre um parecer judicial, é no tribunal que questão deverá se desenrolar e nos bastidores o rumo da questão é aguardada com água na boca.

Durante a semana, ocupando seu lugar cativo em um programa de rádio, Marcus Brunieri notadamente saiu em defesa da empresa. Uma atitude minimante estranha que diz muito sobre essa relação gestão Vanessa Maia e Construservice C Empreendimentos e Construções Ltda. Diante da passividade de seu interlocutor, o popular Gaúcho teceu uma série de acusações e ataques sem apresentar provas. Aliás, apresentar informações não é o forte dele. O caso das diárias para Minas Gerais evidencia isso. “Blogs podres, que mais atrapalham”, disse ele, com fúria canina, contra veículos de comunicação que ousaram repercutir o caso.

Essa narrativa tem sido comprada pelos moradores, muito antes da ação do MP. Setores da imprensa, dias antes, se apressaram em propagar suposta perseguição à obra e moradores, que há décadas aguardam sua feitura. Sem citar nomes, dizia-se que a oposição trabalhava nos bastidores para barrar a obra e assim tirar vantagem política.

Nos grupos de WhatsApp a indignação dos moradores se espalhou, ao adotarem uma narrativa sem provas. Desta forma, os governistas também fazem uso político de uma decisão de natureza judicial. A ideia de “perseguição” é o suprassumo disto. Qualquer atitude que questione a lisura do processo, em concordância com o MP, é percebida como “inimiga”, expressão cunhada pelo secretário de infraestrutura, durante entrevista. Enquanto isso, as razões que balizam a decisão da Dra. Ana Gabriela Costa Everton, vão ficando de lado.

O valor da obra beira os 6 milhões. Grana que não cairá do céu. Em um município que já viveu casos como sal vestido de açúcar, cheiro-verde no legislativo, lápis a R$14,00 e CPI’s, o zelo não é exagero. Em uma cidade de obras paradas por irregularidades (antigo Hospital e Maternidade Municipal) e outras que se arrastaram por anos, como no caso do Hospital Macrorregional, cabe a imprensa acompanhar, de perto, todos os desdobramentos que envolvem aquela que é a obra mais esperada em mais de uma década. Os instrumentos de justiça devem fazer o seu trabalho e para além do caso Maria Rita. A sociedade precisa provocá-los e quando não for suficiente, gritar.

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Joaquim Cantanhêde
Joaquim Cantanhêdehttp://www.opedreirense.com.br
Jornalista formado pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
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