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sexta-feira, maio 22, 2026

Os gatos abandonados pelos vivos nas esquinas dos mortos

Entre um cemitério e uma MA


Eles são muitos e de cores variadas. Nome? Pergunte a quem os deixou aqui – se souber quem são os denuncie. Abandonados nesse lugar de silêncio, se é pelo barulho da ração caindo sobre o túmulo que atendem, então se chamam fome. Gatos, dezenas deles, no limbo entre os vivos e os mortos, alguns, como evidenciam as fotografias, mais para lá do que para cá.

Quem ainda se lembra deles tem nome, mas por hora escolhe o anonimato, pois até fazer o bem oferece risco. Entre os dois turnos de trabalho encontra tempo para ofertar ração e água aos felinos. Só vendo a pressa deles.

“De uns tempos para cá os abandonos aumentaram. Um local horrível para um animal sobreviver”, destaca, fazendo referência ao ponto de descarte, às margens da MA-381. “Olha essa via! Vira e mexe, quando venho, vejo um animal atropelado, porque é do extinto deles, andar, correr. Pegar um animal, jogar num lugar desse… É para morrer. Aqui não tem ajuda veterinária. Vão vegetando, padecendo”, explica.

Foto: Joaquim Cantanhêde

Alguns felinos, que ainda apresentam boa condição física, em questão de dias, caso não sejam amparados, acabaram por definhar.

A boa alma conta que, uma das formas encontradas para repercutir o que ocorre no ‘campo de concentração’ de felinos, foi criar um perfil no Instagram, o @adocaopedreiras2025. Nele, o cuidador incentiva a adoção responsável, campanhas de castração, doação de ração e remédio. Já o grupo no Whats não vingou como gostaria.

“A partir de uma foto, de uma postagem que faço, por exemplo, tem 120 visualizações. Graças a essa página já conseguimos fazer muitas doações”, ressalta, acreditando na sensibilidade de criadores independentes. Ele se responsabiliza até pela entrega dos animais em caso de doação.

Foto: Joaquim Cantanhêde

“Isso aqui é um holocausto de gato”, diz, evocando como figura de linguagem o estado deplorável dos judeus, nos campos de concentração, durante a II Guerra Mundial.

Em Pedreiras, Maranhão, não somente gatos lidam com o desamparo. Cachorros se avolumam, por vezes em bando pelas ruas do centro, ainda que a prefeitura mantenha, no Povoado Angical I, o Centro de Acolhimento de Animais em Situação de Abandono, com foco para cães, e realize, esporadicamente, feirinhas de adoção.

Tentamos dialogar com Aldeclei Farias, secretário de Meio Ambiente, mas até o fechamento desta matéria não houve retorno.

Foto: Joaquim Cantanhêde

A falta de cuidado em relação aos felinos fez com que o vereador Gabriel Tallys, que mesmo antes de eleito já se debruçava sobre questões da causa animal, apresentasse uma indicação, na Câmara de Vereadores de Pedreiras, solicitando a construção de um ‘gatil’, espaço de abrigo e cuidado de felinos.

“Irá proporcionar abrigo, alimentação, acompanhamento e mais dignidade para os animais que hoje vivem expostos ao abandono, à fome, às doenças e aos perigos das ruas. Além disso, um gatil organizado também contribui para o controle populacional dos gatos, ajudando a reduzir problemas de saúde pública e promovendo mais equilíbrio para a nossa cidade”, destacou o parlamentar, ao defender a indicação, em publicação feita nas redes sociais.

Foto: Joaquim Cantanhêde
Foto: Joaquim Cantanhêde
Foto: Joaquim Cantanhêde
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Joaquim Cantanhêde
Joaquim Cantanhêdehttp://www.opedreirense.com.br
Jornalista formado pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
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