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sábado, julho 20, 2024

11 mil reais mensais: o vice sem gabinete que preferiu o “exílio”

Onze mil reais, esse é o preço (fora diárias) que pagamos mensalmente, desde 2016, a Éverson Veloso. Função para qual foi eleito? Vice-prefeito de Pedreiras, Maranhão. Fez dupla com o atual gestor, Antônio França, subiu no palanque, mas depois de eleito não foi tão visto quanto deveria à revelia da altura do cargo que ocupa. Mas o político Éverson Veloso sempre foi mediando e não foi escolhido vice por acaso. Qualquer um adoraria tê-lo como opositor e essa tem sido a sina (distorção de papéis) dos vices por décadas diante das gestões que avalizaram e compuseram.

Seu nome compõe uma leva de alguns outros, cuja trajetória política sempre esteve ligada, de forma alternada, a mandato: Louros, Brancos, Melos, Silvas, Curvinas, Velosos, Chicotes, e agora Feitosas e Maias. Famílias que ao longo da história, por meio de instrumentos diversos, conseguem exercer determinado poder político através de capital financeiro e eleitoral. Sempre estiveram, cada uma a seu tempo, envolvidas, apoiando e sendo parte das gestões ao longo de décadas. Nesse pleito não será diferente. A cidade se acha loteada.

Sem qualquer atuação política pregressa, Éverson foi vereador, entre os anos de 2012 e 2016, carregando o renomado sobrenome Voleso. Evoca o legado educacional erigido por Aldenora Veloso, figura de forte apelo num município cujo investimento em educação pública ainda patina em comparação ao setor privado. Aliás, nossas demandas educacionais são enormes, mas nenhuma delas foi capitaneada pelo vice- prefeito.

No meio político Éverson Veloso é tido por alguns como uma figura equilibrada e discreta. Já parte da população questiona sua inércia. Em março de 2018, rompeu oficialmente com a gestão “Honra de Trabalho”, descontente com demissão da então secretária de educação Conceição Cunha, indicada pelo grupo Veloso. Fora da gestão, Éverson, sem grandes esforços, aprofundou sua insignificância política, tão custosa para os cofres públicos. É bom lembrar: R$ 11.000,00.

Antônio França (Prefeito de Pedreiras) e Éverson Veloso (Vice-prefeito) durante a posse em janeiro de 2017 (Foto: Sandro Vagner)

Às margens de um novo pleito, reapareceu em entrevista ao Programa Tribuna 101, da Rádio Cidade FM de Pedreiras. “Eu tenho plena certeza que o povo quer mudança. Essa administração não foi boa e o povo clama por mudanças. Pedreiras quer um político que seja arrojado, que possa fazer a cidade crescer de verdade”. Éverson Veloso, contudo, esquivou-se da mea-culpa. Na folha de pagamento (R$ 11.000,00 por mês) ainda é parte dessa gestão e o fracasso dela é também a sua. Se Antônio França falhou enquanto gestor, Éverson não fez diferença alguma, tão pouco contraponto, como se diz no Nordeste: nem fedeu, nem cheirou.

Onze mil reais, é o que a gente paga por um figurante, uma sombra. Caro em um cenário de crise, num país de realidades tão dispares, na qual o Governo Federal alega que não poderá continuar pagando o Auxílio Emergencial de R$ 600,00. O valor que cairá pela metade.

Éverson preferiu, por ser confortável, seguir a sina dos vices que o precederam, tão igualmente politicamente insignificantes. Diz ele: “Diziam que existia um gabinete para mim, mas, isso não era real. Tentei dar sugestões, opiniões, mas não fui ouvido”.

O papel do vice nas gestões precisa ser repensado urgentemente, mas pelo o andar da carruagem, em 2020 perderemos, novamente, a oportunidade de atribuir-lhe outra perspectiva. Prefeito e vice podem trabalhar paralelamente em prol da população. Não justifica tamanha inércia diante de tantas demandas. O vice, como qualquer cidadão, pelo valor que recebe mensalmente, R$ 11.000,00, bem distante do salário mínimo, deve trabalhar todo dia e não somente na ausência do prefeito.

Atualmente a escolha do vice, entretanto, pouco tem a ver com a capacidade de soma na administração. Muito mais do que ciência de seu papel e vontade de trabalhar, o vice dos sonhos dos cabeças de chapa é aquele que agrega capital eleitoral e financeiro. É uma questão a curto prazo e é parte dos “acordos”.

Nesses quase quatro anos, Éverso fez uma escolha: preferiu ser um vice comum, prendendo-se a formalidade de um gabinete, que não teve. Atrelou a importância que poderia ter tido às paredes de um lugar que nunca saiu do papel. Não ficou ao lado de França, tão pouco juntou-se ao povo, apenas exilou-se de qualquer culpa do fracasso que sobre seus ombros também recai. Trouxe alívio ao dizer que não será candidato à coisa alguma, atitude mais assertiva desde que tomou posse como vice-prefeito.

Seu grupo, contudo, deverá engrossar as fileiras em prol de Vanessa Maia. “Apoio a minha cidade, Pedreiras, por isso, eu e toda minha família iremos apoiar Vanessa Maia, porque acredito em dias melhores para nossa cidade. Vanessa agrega todas as qualidades para fazer nossa cidade crescer. Uma pessoa que tem bagagem, tem apoio estadual e federal e irá fazer um grande trabalho pela Princesa do Mearim”. Oxalá que Vanessa, tão parecida com aquele Éverson que foi eleito vereador, tenha uma carreira política mais significativa que a dele.

Por Joaquim Cantanhêde


Obs: A opinião expressa é de inteira responsabilidade do autor. O Pedreirense sempre se manifesta por meio do editorial.

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Joaquim Cantanhêde
Joaquim Cantanhêdehttp://www.opedreirense.com.br
Jornalista formado pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
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