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quinta-feira, julho 18, 2024

Travessa da Estrela: um Brasil que não muda

Dois anos se passaram desde aquela tarde chuvosa, uma entre tantas na Travessa da Estrela, em Pedreiras, Maranhão. Uma realidade cotidiana e uma indignação que Gabriel Ferreira da Silva, conhecido na cidade como Plebeu Rapper, não quis apenas para si. Naquele momento a TV Globo havia lançado o quadro “O Brasil que eu quero”, em que brasileiros de diversos lugares gravaram vídeos dizendo o que desejavam para o país.

“Cheguei ali, filmei, publiquei. Quando deu um certo tempinho, nem 12 horas direito, já tinha mensagem no WahtsApp, gente mandando print de galeria. Chegou em Codó, São Luís, passou no Programa do Ratinho. Isso me deixou feliz”, explica Gabriel Ferreira. Contudo, a felicidade do alcance de seu protesto se contrasta com uma realidade que pouco mudou. “Me entristece esse lado”.

A falta de infraestrutura é uma das muitas evidências da ausência do Estado. Em dezembro de 2019, uma forte chuva caiu sobre a cidade de Pedreiras, agravando os problemas estruturais de muitas periferias, o que inclui a Travessa da Estrela. Apesar do nome, se acha invisibilizada diante de sucessivas gestões municipais. 

“Indignação completa, porque essa situação se arrasta por anos. Em 2011, 2012, já estava dessa forma. Foi piorando… Sempre tenho feito protesto em forma de rap, vídeos colocados nas redes sociais, marcando autoridades. A situação continua a mesma e a indagação: por que não é feito alguma coisa pela rua?”, questiona Gabriel Ferreira.

Sua rua não é só um caminho, um pedaço de chão abaixo dos pés, é um lugar de constante visita de suas memórias, em especial, aquelas vividas na infância. “Andava de bicicleta. Caia, levantava. Agora já não se pode, por causa da situação”. As crianças, segundo ele, se adaptam a condição. “Seus pais querem uma coisa melhor para elas brincarem, uma pracinha, um playground, mas enquanto isso não vem a gente segue sonhando, lutando e de alguma forma que seja possível, buscando. Tocando o dedo na ferida para sermos notados”.

O outro lado

Na manhã desta segunda, entramos em contato com Secretário de Infraestrutura, Francisco Florêncio. Por ligação, ele pontuou as ações que a Prefeitura de Pedreiras realizou a fim de evitar que a erosão se aproxime cada vez mais das residências. Explicou que há um projeto que trará uma solução definitiva, impossível de ser implantado, no momento, em virtude do período eleitoral.

“Trata-se de um problema bem antigo, que as gestões passadas não conseguiram resolver por inadimplência do munícipio. Conseguimos solucionar essa questão, limpamos o nome do munícipio referente aos débitos das gestões anteriores. Fizemos um aterro com o objetivo de evitar o agravamento da situação, em especial, nas enxurradas. Pela extensão do igarapé buscamos fundos federais e estaduais para a construção do muro de arrimo, com concreto e canalização, o que só deve ocorrer após a eleição. Na entrada do bairro Maria Rita ampliamos o espaço de escoamento da água, diminuindo o volume. Estamos sempre atentos”, explicou o secretário.

Enquanto a solução não vem, Gabriel Ferreira encontra no rap uma forma de cantar sobre sua vida e fazer ecoar uma realidade que não é só sua.

Por Joaquim Cantanhêde

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Joaquim Cantanhêde
Joaquim Cantanhêdehttp://www.opedreirense.com.br
Jornalista formado pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
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