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quinta-feira, julho 18, 2024

Pedreirenses têm contas invadidas e imagens expostas após golpes no Instagram

“Luto”, esta foi a mensagem que amigos e familiares do estudante Nayam Vitor, de 26 anos, receberam, minutos após ter a sua conta do Instagram invadida, durante a madrugada de uma quinta-feira (13). O anúncio da suposta morte de Vitor, publicada com uma foto do estudante em preto e branco, foi o ponto de partida de uma ação criminosa que vem acontecendo no mundo virtual, fazendo vítimas em todo o Brasil, inclusive em Pedreiras, Maranhão, com o intuito de chamar a atenção dos seguidores para aplicar golpes de vendas, seja de imóveis, eletrodomésticos, anúncios de TVs e outros produtos.

“Eu estava deitado, ouvindo música e mexendo no Instagram, até aí estava funcionando, minutos depois comecei a achar estranho, pois não estava carregando mais nada. Deixei de lado e fui conversar com minha irmã e minha vó. Quem me conhece sabe que sou desligado das redes sociais, então fui assistir filme. Horas depois fui entrar novamente no meu instagram e apareceu a mensagem: ‘você foi desconectado’, aí eu já fiquei nervoso, desesperado, relata o estudante.

O ação criminosa, que iniciou próximo das 20h, durou cerca de nove horas, até que o estudante conseguiu recuperar a conta, mas nesse período de tempo, muita coisa aconteceu. A missão de tentar recuperar a conta e desmentir a suposta morte durou a noite toda. “Eu fiquei acordado até umas cinco horas. De uma certa forma me tirou o sono. Eu fiquei apreensivo, fiquei desesperado, porque eu já tinha visto acontecer com os outros, mas não comigo. Eu nunca pensei que fosse acontecer comigo e da pior forma: além de me matar ainda queriam vender móveis que nem tenho”, relata ainda atordoado.

Nayam conta que começou a receber ligações de amigos e prints de conversas entre o criminoso e seus seguidores. “Postaram que você tinha se suicidado e que sua família estava vendendo teus móveis”, relatou um amigo sobre uma das mensagens que recebeu do criminoso. Em outro caso disseram que sua família estava precisando de dinheiro para fazer o suposto velório e por isso pediam doações via Pix.

Nayam Vitor, 26 anos, acadêmico de Fonoaudiologia (Foto: Mayrla Frazão)

De acordo com especialistas, o Pix [ferramenta que permite realizar transações em tempo real], tem sido muito utilizado por quadrilhas para a aplicação de golpes, principalmente pelo desconhecimento das vítimas, que facilita a ação dos criminosos. Segundo o especialista de segurança, Fabio Assoline, “fraudes bancárias na internet sempre existiram, mas foram adaptadas para o Pix, devido a instantaneidade que permite que roubos sejam feitos de maneira mais fácil”, explicou.

Em Pedreiras, outros usuários do aplicativo Instagramforam vítimas da mesma ação. A profissional de Educação Física, Kellry Souza, de 25 anos, relata que sua conta foi invadida, no dia 21 de novembro do ano passado, através do e-mail que utilizava. Nele guardava todos os seus dados pessoais, inclusive a conta do Instagram. Kellry usava a sua conta, de mais de dez mil [10k] seguidores, como ferramenta de trabalho, falava do dia a dia e dava dicas sobre maternidade. Infelizmente, alguns de seus seguidores acabaram caindo no golpe e depositando dinheiro para o (s) criminoso (s).

“Algumas pessoas caíram por acharem que fosse eu, por confiar em mim, por me conhecerem, mas na verdade foi esse ser imprevisível que se passou por mim e ‘ganhou’, mas sujando totalmente o meu nome e minha imagem. Só depois pude provar que não era eu a pessoa, que fui rackeada e que essas pessoas infelizmente foram vítimas de um golpe”, relata Kellry

O Delegado Regional da Polícia Civil, Diego Maciel, conta que a maioria das pessoas que passaram por essa situação e tiveram suas contas do Instagram invadidas, não realizaram o Boletim de Ocorrência, o que acaba dificultando as investigações. “A gente precisa registrar para que seja apurado, muitas vezes a pessoa não quer ter a sua privacidade invadida ainda mais e não registra [B.O]. É uma investigação bem delicada, a gente já tem um norte e vários elementos apurados”, ressaltou o delegado.

De acordo com Kellry, foi difícil realizar o B.O. A jovem relata que tentou três vezes fazer o registro, porém, o sistema estava fora do ar, então desistiu. Essa é uma das dificuldades que o departamento da Policia Civil enfrenta. “Deficiência da estrutura e do número de policial”, como ressalta o delegado Diego Maciel.

O jovem Nayam Vitor conseguiu recuperar a sua conta utilizando o e-mail, em um cansativo passo a passo, mas que valeu a pensa. Infelizmente, Kellry não teve a mesma sorte, segundo ela, além de ter a conta invadida e seus seguidores enganados, pelo criminoso, sua conta foi excluída do espaço virtual.

Mas como podemos evitar que nossa conta seja rackeada?

Conversamos com o Desenvolvedor de Web, Elithon Silva. Ele relata que tentaram invadir sua conta, mas graças às proteções e conhecimentos na área virtual conseguiu reverter a situação. Nesse contexto, Elithon deixa algumas dicas para que você evite ter sua conta invadida por criminosos. Segue abaixo:

Manter os dados pessoais como e-mail e telefone atualizados;

Usar boas senhas e ativar a proteção de autenticação “dois fatores”. Essa proteção é essencial, pois o login só é realizado com a confirmação do código de segurança, gerado aleatoriamente por SMS ou por app de autenticação;

Dica de uma boa senha:

Alfanumérica + algum caractere especial como “@$&-_”, senhas de no mínimo 8 carácteres, sem repedir qualquer letra ou número. Não usar sequências como 456, acb;

Evitar usar somente uma senha para todas as contas online;

Evitar fazer login em dispositivos que não sejam de sua propriedade. Caso precise usar um computador que não seja seu, certifique-se de deslogar suas contas após o uso e não clicar para salvar senhas ou informações de login. Às vezes essa mensagem aparece tão rápido que a pessoa usuária acaba clicando sem perceber;

E por último, fazer a troca de senhas a cada 6 meses ou 1 ano;

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Mayrla Frazão
Mayrla Frazãohttps://www.opedreirense.com.br
Jornalista - Centro Universitário de Ciências e Tecnologia do Maranhão (UniFacema)
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