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segunda-feira, abril 15, 2024

Os pés desempoeirados da “Rua da Corrente”: depois de anos e alguns protestos, pisam sobre asfalto

Com histórico de necessidades na infraestrutura, a Rua da Corrente, uma das muitas do bairro do Diogo, localizado em Pedreiras, interior do Maranhão, há anos, solicitava asfaltamento, pois segundo os moradores a poeira não podia ser ignorada e já afetava a saúde de muitos por ali.

Com promessas e reuniões feitas ainda na gestão de Antônio França (DEM), não houveram ações que pudessem melhorar as circunstâncias e como símbolo de desgaste, ocorreu o primeiro protesto, no dia 22 de outubro de 2017, onde os moradores se juntaram e atearam fogo sobre alguns pneus e galhos, impedindo a entrada e saída de carros e motos em uma das ruas.

Após o protesto, iniciou-se mais um ciclo de promessas e espera e não podendo mais aguentar, novamente optaram por um novo ato no dia 31 de agosto de 2020, dessa vez bloqueando, também com fogo, parte da MA-381, via que liga Pedreiras ao município de Joselândia, onde no local a indignação era a mesma de todos e sempre: a poeira que invadia até onde podia e agora mais do que nunca, as respostas não tinham ações.

Mediante a mobilização dos que ali residem, no domingo (18/04), puderam então contemplar a efetivação de parte de seus direitos, aqueles que não ficaram parados, como pequena Raíssa Araújo, de 12 anos, que com um galho na mão impedia a passagem de alguns veículos no local do último protesto. Hoje ela expressa alegria: “Está muito legal a rua que estão fazendo, está muito perfeito [em relação] ao que era antes.”

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Raíssa Araújo durante protesto por asfalto para a “Rua da Corrente”, em Pedreiras (Foto: Joaquim Cantanhêde)

Ela conta que seu envolvimento no dia era pra também manifestar a frustração. “Era muita poeira, muita lama. Na casa da minha tia era cheio de poeira, não podia passar a mão na raque que saía muita poeira”, pontua Raíssa, que estava feliz no protesto, pois “ajudava o povo”.

E quem é o povo de Raíssa?

É seu Zé do Edin (48 anos), que tinha seus dois pontos de trabalhos atingidos pela poeira. Agradecido comenta: “Agradeço a Deus em primeiro lugar. Muito bom. Aqui a gente sofria demais na oficina. As peças todas cheias de poeira. Nós estávamos precisando. Tenho meu frango ali, que asso, meu deus do céu, botava uns 2 com medo de não vender, porque se tornava mais difícil, mas agora, depois do asfalto, até a venda já melhorou, graças a Deus! Eu só tenho a agradecer mesmo, viu” finaliza com alívio.

Assim como Zé Rodrigues (de 76 anos), que fala do espetinho que foi fechado justamente por conta da situação e a dificuldade de sentar a porta. Hoje, podendo estar em frente de casa, diz: “Eu tenho achado que melhorou 100%. Por aqui estava era matando o pessoal de poeira, lama. Agora ficou bom, melhorou muito”.

Além de estabelecimentos comerciais que eram impactados pela poeira, para as donas de casa, como Francisca de Abreu (49 anos), lavradora, o trabalho se tornava triplicado para manter a limpeza da casa e a conservação dos móveis, assim como a saúde das crianças “Comprei um sofá, nem paguei tudo. Olha a cor! Acabou colchão de cama, tudo, com essa poeira desse jeito aí. E as crianças doentes, gripadas. Para dona de casa fazia 3 coisas em uma só, pra mim realizou um sonho”.

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Francisca de Abreu mostra o sofá empoeirado (Foto: Joaquim Cantanhêde)

E quais os outros sonhos permanecem por lá?

Se a felicidade de Raíssa se fazia presente no ato do protesto, é possível que agora esteja mais presente sem a preocupação de voltar às ruas com a mesma questão. Mas, seria apenas o asfalto, um direito de infraestrutura para a população, a permanência dessa felicidade?

Na resposta sobre o que espera além de um asfalto, a garota diz: “Muitas coisas”, mencionando brinquedos e um espaço para brincar, pois o local de antes já não se encontra propício para a atividade.

“Tínhamos o Vale da Serra (loteamento), mas não tem mais nada lá, está muito sujo, muita lama”. 

Quem compartilha de um desejo também é Fátima Araújo (de 33 anos). “Aqui a gente sempre cobra a quadra de futebol. Isso está no nosso projeto também, querer a quadra e uma creche. O que nós cobramos aqui no bairro é isso”.

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Asfaltamento da “Rua da Corrente” (Foto: Joaquim Cantanhêde)

Perguntado sobre as futuras obras que serão feitas pelo bairro, o atual Secretário de Infraestrutura, Marcos Brunieri, responde que a próxima etapa será a colocação de manilhas, duas secções de 1 km cada uma, do lado direito e outra do lado esquerdo. Ainda se encontra à espera da licitação, que segundo ele não demora mais pra chegar.

Como em 2021 ocupou-se uma nova gestão, os moradores aguardam execuções de mais benefícios ao bairro que não conseguiram no governo passado. O que Raíssa provavelmente espera também, tanto para ela como seu povo, é não ter que sair para rua com a felicidade para protestar de novo, porém, para brincar com brinquedo novo e a despreocupação que sua idade ainda alcança.

Por Márcia Cintra

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