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terça-feira, abril 16, 2024

Os devaneios de um jornalista ‘progressista’

OPINIÃO


“Esse tempo da liberdade de expressão como um valor absoluto, que é uma falcatrua, acabou no Brasil. Foi sepultado”, diz Flávio Dino, ex-governador do Maranhão e membro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Fiz meu primeiro estágio em 2017 como repórter e editor no Portal Economia SC, lugar que tenho grande carinho. Desse período ficaram boas lembranças: as conquistas diárias, os desafios superados, a primeira matéria publicada, a escrita aprimorada, coberturas de eventos, as fotografias, as revisões textuais; cada passo era uma realização.

Naquela ocasião, em busca de aprendizado e reconhecendo as limitações financeiras, mantive assinaturas em diversos jornais renomados, como Valor Econômico, O Globo e Estadão – este assinei por anos. Como estudante, achava importante ter acesso a esses conteúdos. E não parou por aí. Continuei lendo revistas, manuais de redação, apostilhas, livros, indo a palestras e participando de eventos, com o objetivo de aperfeiçoar minhas habilidades profissionais. Hoje não imputo credibilidade a esses portais de notícias, que se venderam no pior sentido da palavra. As razões detalhadas por que abandonei esses jornais ficam para outra oportunidade.

Enquanto cursava idealizei um projeto pessoal, com o intuito de aplicar meus conhecimentos em sala de aula. O objetivo inicial era entrevistar todos os candidatos a presidente da república que viessem a Florianópolis, Santa Catarina. Iniciei com o Ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, depois tive a oportunidade de conversar com Henrique Meirelles, João Amoêdo, e pouco tempo antes do descodenado Lula ser preso, ele veio a Florianópolis com sua equipe, que por alguma razão, não recebeu a imprensa local.

Esse breve relato viso apresentar ao leitor, especialmente aos que desconhecem meu trabalho como jornalista e comunicólogo, meu comprometimento com os princípios éticos, profissionais, e a busca incansável pela nobreza do exercício do jornalismo, a saber: a verdade!

Resposta

Em 2021 escrevi um texto opinativo para O Pedreirense sobre o ‘7 de setembro pela liberdade’ do corrente ano, onde abordei questões pertinentes a liberdade, clamor popular e manifestações protagonizadas por muitos brasileiros que foram as ruas. Após ser publicado, o jornalista Joaquim Cantanhede escreveu “As paranoias de um jornalista bolsonarista”, colocando em xeque minha competência profissional; pois bem, a princípio li superficialmente a crítica elaborada. Todavia, após um tempo entendi que seria importante escrever uma resposta, não a pessoa, mas a atitude ou desconhecimento momentâneo acerca do meu trabalho ou do que seja um texto opinativo.

Pois bem, separarei a resposta em tópicos para facilitar a compreensão. Destaco que não trato dos pontos ‘ao pé da letra’ por ter se passado algum tempo, entretanto, o conteúdo central permanece.

1. Liberdade de Expressão

Naquele 7 de setembro, o que os brasileiros, que foram as ruas, temiam acontecer, infelizmente tornou-se realidade: hoje o Brasil vive seu pior momento na história. Censuras sem o mínimo pudor, ‘camaradagem’ entre os poderes, a autocensura, deputados federais perseguidos por ‘crime de opinião’, conluio entre a ‘imprensa famosa’, perseguições ilegais, sangue derramado e o aplauso ao autoritarismo em nome da narrativa, com o objetivo de calar a oposição do regime atual. Caso o colega aspire saber mais: recomendo sair da bolha, pesquisar e ler jornalistas sérios.

Sobre as tais ‘acusações infundadas’, pergunte ao comerciante que foi obrigado a fechar seu estabelecimento, com risco ser multado, simplesmente por capricho. Com o avanço do regime PT-STF, as ‘águas’ foram subindo até chegar aos militantes ‘progressistas’  com verniz de jornalistas. Veja por exemplo o texto ‘Organizações alertam para riscos ainda presentes na decisão do STF que responsabiliza imprensa por declarações de entrevistados’ da Associação Brasileira de Jornalismo (Abraji) sobre a decisão da Suprema Corte a responsabilizar os meios de comunicação pelas respostas ditas dos entrevistados convidados; na prática significa: caso alguém do ‘governo’ não goste do conteúdo da entrevista, o veículo de comunicação passa a responder pela fala do convidado, simples assim. Esse tem sido o modus operandi atualmente; Ora! A mesma imprensa que tem sido ‘assessoria de imprensa’ ou cúmplice do atual regime, fez de tudo para ‘limpar a barra’ do descodenado e ex-presidiário, Lula, que atualmente ocupa a cadeira de presidente da república. A água bateu nas nádegas e hoje a velha imprensa veem o lobo que criaram.

Alguns portais da velha imprensa até tentam de maneira tímida tirar o corpo de lado, pois alguns já veem o caos que geraram a nação. Culpa 100% da imprensa? Não! Mas tem uma boa fatia nessa pizza de autoritarismo: censuras, prisões políticas e cancelamentos em favor da causa. Como disse alguém ‘missão dada é missão cumprida’, não é? Infelizmente, temos muitos casos para comentar nesse texto, todavia, devido o grau de insegurança prefiro não mencionar detalhes.

Compartilho com os leitores algumas manifestações tímidas da velha imprensa sobre o atual estado de exceção brasileiro: Editorial Estadão: É hora de encerrar os inquéritos contra golpistas; Editorial Folha de SP: Ataque a liberdade. E para fechar essas referências deixo a citação do jornalista famoso entre os ativistas ‘progressistas’ da mídia brasileira, o jornalista americano Glen Greenwald, que escreveu no dia 13 de Dezembro de 2023 em seu Twitter/X o seguinte “There may be other cases, but I don’t recall any instance in an advanced democracy where a podcaster was outright barred by a court from commenting on a high government official. But much of the Brazilian left has embraced systemic censorship more extreme than can be described. /  Pode haver outros casos, mas não me lembro de nenhum caso numa democracia avançada em que um podcaster tenha sido completamente impedido por um tribunal de comentar sobre um alto funcionário do governo. Mas grande parte da esquerda brasileira abraçou uma censura sistêmica mais extrema do que pode ser descrita. ( Tradução pelo twitter Google)”, esclarece.

Que Deus abençoe nosso Brasil e nos ajude a restaurar a democracia. Que Deus levante homens corajosos, de caráter, pessoas fortes, que digam não ao regime ditatorial que estamos vivendo.

2. Jornalismo

Costumo dizer que o jornalista é alguém curioso e técnico que ao vê algo se movendo, toma a iniciativa de conferir e verificar, se existe algo de errado no local. O jornalista é alguém que levanta o tapete para vê o que tem por baixo. Hoje, com o regime de exceção que estamos no Brasil, está cada vez mais difícil seguir o instinto jornalístico. E quando se decide por seguir o instinto,  pensa-se duas ou três vezes antes de escrever ou publicar, por medo de retaliação, dando lugar a autocensura, afinal, jornalista também tem parentes, filhos e mulheres.  A depender da situação, algumas vezes, é melhor ficar distante. O jornalismo autêntico no Brasil respira por aparelhos e a velha imprensa tem sua fatia de culpa nesse processo de degradação da profissão.

3. Esclarecimento

Costumo dizer que existem dois tipos de ‘esquerdistas’: 1) Os que estão na liderança de algum grupo como sindicatos, partidos, ONGs, movimentos, etc; 2) As pessoas com boas intenções, que por falta de conhecimento, abraçam uma causa sem compreender o objetivo, sendo de certa forma facilmente manipulados pelo canto da serpente. Normalmente esse tipo de pessoa muda de postura quando exposta a realidade ou com o passar dos anos.

Os comunistas são bons em deturparem o significado de palavras chaves com o objetivo de propagar sua agenda de maneira suave aos ouvidos. Ora! Democracia na boca dos ‘progressistas’(nome fantasia e fofinho para comunistas, e assim, impor suas aberrações) é a anulação da opinião do outro, assim, todos devem pensar de maneira igual, e quem não ficar de joelhos para a cartilha imposta são cancelados ou ignorados. Os esquerdistas não gostam da democracia, digo, no sentido real da palavra.

Com o avanço da internet e das redes sociais, ficou complicado manter a narrativa de ‘bons moços’ em nome do ‘bem’. Aqui entra a tal PL da Censura ( PL 2630), a tentativa de legitimar a censura no Brasil. Democracia para comunista não é a pluralidade de opiniões e pensamentos, mas a imposição da sua ideologia, no caso, o autoritarismo em nome do ‘bem’.

O militante progressista (nome fantasia fofinho para comunismo) é um vendedor que promete igualdade, justiça social (Quem não quer uma vida justa?), diversidade (outro termo deturpado), educação, inclusão, amor e paz. Ora! Quem não deseja viver nesse paraíso pintado pelo militante ingênuo? Bem, só que ao comprar ou aceitar o ‘pacote de produtos’, e o ‘vendedor’ ir embora, o comprador ingênuo abre a embalagem com cuidado e vê que caiu em um golpe, que no lugar das coisas prometidas, comprou fome, desemprego, inflação, miséria e atraso, com o nome socialismo escrito no fundo da caixa. “Censura total, prisões em massa, campos de concentração, proibições de viagens aéreas, reeducação ideológica obrigatória – tais são as promessas que os comunistas no poder vão cumprir à risca. Não esperem deles nenhuma ponderação, nenhuma tolerância, nenhuma ‘normalidade’”, disse o filósofo Olavo de Carvalho no dia 13 de jan de 2021 no Twitter/X.

4. Bolsonarista

Caro amigo e colega de profissão Joaquim Cantanheide, esclareço que o termo ‘bolsonarista’ não me causa nenhum desconforto ou sentimento de inferioridade, afinal, o que é ser um ‘bolsonarista’? Uma curiosidade, o que me define como tal? O que representa para ti me chamar assim? Quero entender o método utilizado por você na composição do termo. Era para eu ficar chateado ou me sentir ofendido? Não entendi. Conte-me, espero que seu método seja de grande valia para meus estudos e aperfeiçoamento pessoal. Agora, se usou o termo por eu ter uma simpatia com o ex-presidente Jair Bolsonaro, posso repassar outros nomes de personalidades que admiro e veja qual fica melhor na sua concepção. Vamos lá: Mário Vargas Llosa, Anton Tchekhov, Gothe, Leo Tolstoy, Gustave Flaubert, Neil Gaiman, Jordan Peterson, Olavo de Carvalho, Raymond Carver, Ernest Hemingway, etc. Fique à vontade.

Conclusão

Quanto a minha abordagem no texto ‘7 de setembro pela liberdade’, bem que gostaria de dizer que minhas observações estavam erradas, do contrário, faria questão de trazer um texto com informações melhores, mas não. Estamos hoje vivendo o pior momento da história do Brasil. Como disse o ex-ministro do Supremo Tribunal de Federal (STF) Marco Aurélio Mello sobre a indicação do ex-colega da suprema corte Lewandowski para o Ministério da Justiça “É o Brasil desarrumado”.

Por Elmadson Almeida, jornalista.

📌 Observação: a opinião é de responsabilidade de seu autor e não representa um posicionamento do jornal O Pedreirense.

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