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quarta-feira, julho 17, 2024

O Papa é pop? Um alerta sobre a fala de papa Francisco à união homoafetiva

Nas últimas horas o mundo foi bombardeado em suas timelines por manchetes que destacavam o seguinte enunciado: “Papa Francisco defende união entre homossexuais”. Contextualizando, a fala do pontífice foi retirada do documentário biográfico “Francesco”, no qual diz: “as pessoas homossexuais têm direito de estar em uma família. Ninguém deverá ser descartado ou ser infeliz por isso. O que precisamos criar é uma lei de união civil. Dessa forma eles são legalmente contemplados. Eu defendi isso”.

Ao começar, quero enfatizar o cuidado em analisar criticamente a fala de Francisco para não ser banhado por uma simples ilusão. Notamos que sua fala tem lá seu impacto, mas é apenas na sua historicidade. Então, não pinte o papa como um defensor dos direitos da comunidade LGBTQIA+. Não esqueça, ele ainda continua sendo um papa, com isso, é um pastor que orienta o seu rebanho aos interesses de uma igreja genocida, racista, machista, LGBTfóbica, etc.

Ao analisar a fala do Papa observamos que o próprio defende, de fato, a união homoafetiva. Todavia, o discurso é direcionado para o campo jurídico e não para o seu próprio recinto. Defender juridicamente não altera em nenhuma instância a configuração ou o conceito de família pregado dentro da igreja católica. Percebe-se que o seu impacto é somente no campo histórico da igreja, pois essa é a primeira vez que um papa ousa proferir um discurso abertamente e sinalizando outras formas de união. Mas para por aí!

Pelo visto, o papa do “fim do mundo” é daqueles que apoia o pecado, mas não o seu pecador. O papa quer uma igreja que acolha a comunidade LGBTQIA+, mas sem enxergá-los como uma existência humana. Quando pesquisamos outros discursos do representante católico sobre a classe LGBTQIA+ é perceptível uma certa contradição. Aos jornalistas, em 2016, Francisco lembrara de um encontro que teve com um homem trans. “Ele me escreveu uma carta dizendo que seria um consolo se reunir comigo, ele e a esposa. Ele que era ela, mas é ele”, dando ênfase ao “nada natural” da existência trans.  

Em um outro ponto, ele reconhece a teoria de gênero como uma “grande inimiga” da lógica tradicional do casamento e enfatizando ser uma “guerra global não com armas, mas com ideias, a propagação ideológica”. Para o Papa, precisamos de “uma educação sexual objetiva, sem colonização ideológica. Se você começar a dar educação sexual repleta de colonização ideológica, você destrói a pessoa”.

Ao meu entender, a veneração das pessoas, principalmente, a comunidade LGBTQIA+ em relação à fala do papa aponta a necessidade que ainda persiste na obtenção de um aval da igreja para devir a ser. Não precisamos disso! A substituição da vida por um livro “sagrado”, uma espécie de manual de instrução que acompanha um objeto a ser montado. Devemos seguir vivendo para que tenhamos a oportunidade de fazer as pazes com o desconhecido, ou popularmente conhecida de vida.

Por: Thiago Henrique de Jesus Silva (Thyago Myron) – jornalista pelo Centro Universitário de Ciências e Tecnologia do Maranhão – UNIFACEMA

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1 COMENTÁRIO

  1. Se mereceu o tempo dedicado para escrita de um texto opinativo, tem lá sua importância a fala do documentário. Só faltou, ao menos uma, explanação sobre as acusações de genocídio, machismo, racismo e “etctarismo” da instituição citada. Se a própria classe, que a cada dia aumenta mais letras e símbolos em sua sigla, se animou com a fala, não entendo a tentativa inserção de caroço nesse angu.

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