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terça-feira, abril 16, 2024

O Balé que surfou no rio

OPINIÃO


A política nos atravessa e ao acompanhá-la, com apego, nos colocamos diante de certezas ou vemos tantas outras se esfarelar, a semelhança do que resta no fundo de um pacote de bolacha. Aleatoriedade e política, feito água e óleo, não se dão muito bem. Das muitas aprendizagens até aqui, para começo de conversa, destaco que a política também é feita de gestos – atenção para os menores, são os mais importantes.  A posição das cadeiras, um abraço, um aperto de mão, uma piada. Na política, àquela além do aparente, nada se perde.

A vinda do presidente Lula (PT), ao Médio Mearim, mais especificamente suas reverberações, são o que os publicitários chamam de “case de sucesso”. Serviu como fábrica de memes, tendo como personagem um velho conhecido deste universo: Fred Maia. Um líder político sem cargo, que por ser esposo de Vanessa Maia, prefeita de Pedreiras (MA), se apropria das brechas, cria outras e por vezes se vale até de eventos oficiais, bancando com dinheiro público, para projetar sua imagem. Sim, ele pensa a longo prazo. Doido é quem o compra por besta. Em Bacabal Fred foi só mais um.

Se para o ex-prefeito de Trizidela o último domingo foi um mar de chacota, para o atual as águas barrentas do rio buchudo foi uma praia perfeita para um surf, que soube conduzir com maestria e não por acaso. Exerceu o protagonismo que se esperava de um gestor, cujo município é um dos mais afetados pela cheia do Mearim, com milhares de pessoas atingidas e dezenas de abrigos.

Lembram da referida importância dos gestos, citada no início do texto? Deibson foi um dos tripulantes que acompanharam Lula em seu sobrevoo. A possibilidade de pouso repousou ainda nos ares.

Que Deibson e seu arquirrival são distintos isso é evidente. O que falta à cabeça de Fred nasce com sobra no queixo do médico. Contudo, é importante lembrar que por décadas Balés e Maias caminharam juntos e juntos foram parar na justiça, por acusações distintas. A ruptura veio no ano passado, tendo como pivô o apoio dos Balés à candidatura de Francisco Nagib, hoje deputado estadual.

A julgar pelas fontes, o “novinho”, gestor da cidade vizinha, rema com tranquilidade para as eleições municipais de 2024, com grandes chances de reeleição. Sua dinâmica, dizem, diminuiu a tensão que marcou a passagem de Fred pelo poder.

Não há como não comparar a dinâmica política das duas cidades separadas por uma única ponte. Há nítidas diferenças. É parte de certos setores da política dos pedreirenses o questionamento, o protesto. Situações desta natureza, em Trizidela, são raras. Um debate que rende outro artigo, logo, deixo para outra hora.

O cenário que circunda a gestão de Vanessa Maia é diferente daquele que espreita Deibson. Há inúmeros fatores que justificam, mas para não me alongar cito apenas um.

Pedreiras é uma cidade com expressiva importância política, social e cultural e regional. Sua história é repleta de marcos políticos que a ratificam como cidade politizada. Termo que não me parece palatável e me fez indagar: de que politização se fala?

A própria cobertura midiática centraliza suas energias nos desdobramentos políticos ocorridos em Pedreiras. Ambas, em 2022, foram destacadas na Revista Piauí, mas apenas a reportagem das supostas extrações dentárias teve a devida repercussão na mídia local.

Em Trizidela, o caso exposto pela revista, era do mesmo modo relevante, já que trazia dados que revelavam dois extremos: a desnutrição e a subnutrição de crianças. Aproveito para sugerir a leitura da reportagem “Má alimentação à brasileira”, com produção jornalística de Camille Lichotti e Rubens Valente (reportagem), Plínio Lopes (checagem), Fernanda da Escóssia (edição) e José Roberto de Toledo (coordenação).

Beirando a conclusão indago: Deibson é honesto? Sinceramente não sei, mas torço para que sim, não vendo nisto dádiva alguma. É sobre caráter. Me volto para a máxima da política como gesto, símbolo. Sua grande inspiração política, conforme o mesmo confessa, vem do pai, Jânio Balé, seu mais expressivo cabo eleitoral. Estando há décadas, de alguma forma, nos átrios do poder, é ovacionado por parte da população, mesmo após acusações de corrupção, pelo Ministério Público Estadual, no ano de 2018. Chegou a ser condenado, em 1ª instância, a ressarcir o horário no valor de R$ 414.897,31.

Ainda que conexões genealógicas gritem, oxalá que ele deixe o legado do pai em um canto, não tão escuro, pois o povo precisa lembrar.

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Joaquim Cantanhêde
Joaquim Cantanhêdehttp://www.opedreirense.com.br
Jornalista formado pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
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