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domingo, abril 14, 2024

Nosso Temer made in Pedreiras

Política a toque de caixa


Dr. Walber Rodrigues da Cruz é um político discreto. Sabe a hora de aparecer e o tempo de distanciar-se dos holofotes. Nunca foi prefeito, apesar das tentativas, mas no xadrez da política local exerce força. Entra gestão, sai gestão e ele, de algum modo, permanece ali e nisso se assemelha a Michel Temer, que por exemplo, foi vice de Dilma Rousseff, que o viu assumir o poder via impeachment – ou golpe segundo a esquerda – ao ser destituída, e anos depois seria a figura por trás da “Carta à nação”, publicada pelo presidente Jair Bolsonaro, após um 7 de setembro de 2021 com claras ameaças golpistas. Entra governo, sai governo, Temer permanece. No plano municipal Dr. Walber é o nosso Temer, o quadro que permanece pendurado, refletindo a partida e a chegada. Ele permanece intacto em seu objetivo, tal qual os cupins, que não fazem barulho algum.

A política lhe é tão lucrativa quanto a medicina e não por acaso faça escola na família. Logrou êxito com o filho, Bruno Curvina, que fora presidente da Câmara de Vereadores de Pedreiras, durante os quatro anos da gestão Antônio França, cujo governo seu grupo apoiou até certa altura do campeonato. Quando os sinais apontavam para o fracasso do então “liso”, migrou, com seu grupo, isentando-se das responsabilidades.

Na eleição seguinte, 2020, trocou o palanque azul pelo laranja, assumindo o árduo (contém ironia) desafio de ser vice na chapa da atual prefeita de Pedreiras, Vanessa Maia. Cargo que ele já havia ocupado no segundo mandado do ex-prefeito Lenoilson Passos, com quem rompeu em plena campanha – fato naquela ocasião, interpretado como traição. Ele, claro, sempre negou. Em desfile pelas principais avenidas de Pedreiras, com um caloroso abraço, publicitaria seu apoio a Totonho Chicote, que naquele momento já contava com apoio do grupo Louro. Tiro certo. Totonho venceu, mas como nas outras vezes, o apoio de Dr. Walber teve prazo de validade. Foi assim com Lenoilson, Totonho, França e informações extraoficiais dão conta de que a relação política Walber/Fred, já não é a mesma. Detalhes para um outro momento.

Na câmara de vereadores, o rosto juvenil de Bruno deu lugar a face feminina de Valdete Cruz, influente no meio católico, conhecida por sua trajetória pessoal, em especial, enquanto enfermeira, somada à força política de seu irmão doutor.

No caos da pandemia, o vice-prefeito lucrou diante do insuficiente número de unidades hospitalares estaduais na região do Médio Mearim, fato posto ao sol na fala do então Secretário de Estado da Saúde, Carlos Lula. “Dívida histórica” disse ele, durante inauguração do Hospital de Campanha Dr. Kleber Carvalho Branco, instalado em anexo ao prédio da qual Dr. Walber é dono, espaço também ocupado por sua clínica particular.

Se por um lado o hospital de campanha fora vital para que vidas fossem salvas, também fortaleceu o caixa do vice-prefeito. A locação custou, mensalmente, aos cofres públicos, R$ 80.000,00.

“Não envolvam meu nome, senão vou ter que começar a mostrar quantas cruzes já carreguei pra poder ajudar nossos irmãos da região, principalmente em plena pandemia”. Terminada a pandemia iniciou-se a contenta entre Simplício, autor da citação acima, na época Secretário de Estado de Indústria, Comércio e Energia (Seinc), e um dos rebentos do médico. As farpas e insinuações foram trocadas em um grupo de WhatsApp.

Mas não é só em tempos de campanha que o médico se mostra “macaco velho”. Dr. Walber sabe como lucrar em um ambiente onde a política dos conchavos, acordos e apoios exerce força sobre um cotidiano carente de políticas públicas permanentes. A má gestão do SUS é sua força, ainda que retoricamente negue. Ele é a mão do setor privado tapando brechas do SUS, mas não é a filantropia que o move.  

No dia 25 de março de 2022, às vésperas da vinda do senador Weverton Rocha (PDT) à Pedreiras, o agora candidato Carlos Brandão confirmou, com direito a foto, o apoio de Dr. Walber a sua, até então, pré-candidatura ao Governo do Maranhão, em um movimento que causou surpresa às figuras do cenário político local, por destoar do grupo de Fred Maia, que apoia o pedetista.     

“Tudo o que a gente faz na vida depende da política”, disse o médico, que ainda sonha em ser prefeito, durante entrevista ao Studio2 RádioCast (18), da rádio FM Cidade. Ele, mais do que ninguém sabe disso.

Foi com riso na boca que o médico tratou de ser portador da boa nova: a notícia da instalação de uma maternidade que será gerenciada pelo Governo de Estado do Maranhão, devendo atender demandas da região do Médio Mearim. Quem ganha com isso? Financeiramente falando, Dr. Walber. De acordo com o Diário Oficial do Maranhão, página 26, a “locação de imóvel situado na Rua Abílio Monteiro, nº 1539, Bairro – Engenho” deve custar aos cofres públicos, R$ 110.000,00 (cento e dez mil reais) mensais. Segundo documento público, o contrato tem duração de 24 meses, ou seja, o proprietário deverá embolsar o “valor global R$ 2.640.000,00 (dois milhões, seiscentos e quarenta mil reais)”.

Na política nenhum movimento é acaso.

“É um sonho antigo e não apenas meu, de todos os colegas médicos, de todas as famílias. Para que Pedreiras evolua e melhore cada vez mais na área da saúde”, disse ele em um programa de rádio, atribuindo a ideia a uma “iluminação divina” e destacando que a política é “boa”.

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Joaquim Cantanhêde
Joaquim Cantanhêdehttp://www.opedreirense.com.br
Jornalista formado pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
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