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domingo, abril 14, 2024

Entrega do Hospital Regional de Pedreiras fica para 2021: um Secretário de Estado prestes a pedir música no Fantástico

Era uma segunda-feira (15/06) como todas as outras. À força, Pedreiras, no Maranhão, tentava trazer de volta uma normalidade que o Sistema Único de Saúde (SUS) local questionava. No Hospital Geral da cidade uma lotação só vista agora, em tempos de pandemia. Até então os casos mais graves eram encaminhados para os hospitais regionais. A morte foi mais rápida que o governo do estado, ceifando vidas de pedreirenses relegados ao eterno êxodo. Na juventude partem em busca de emprego e na velhice, enquanto grupo de risco, vão em busca de prolongar os dias na Terra. Não foi o que ocorrera com José Raimundo da Silva Filho (Zé Filho), figura bastante conhecida na cidade pelo seu ativismo ambiental, que falecera na capital do estado, São Luís.

Zé Filho e tantos pedreirenses, perderam a guerra para a Covid-19 sem qualquer sinal de que o governo Flávio Dino implantaria, semanas depois, com o agravamento da crise de saúde, um hospital de campanha.

O dia de inaugurá-lo chegara. No combo das figuras ilustres estava presente Simplício Araújo, secretário de Estado de Indústria e Comércio (Seinc), Carlos Lula, que na gestão Flávio Dino responde pela pasta da Saúde, Vinícius Louro, deputado estadual, Fred Maia, prefeito de Trizidela do Vale, ao lado de Vanessa Maia, primeira-dama, padre José Geraldo Teófilo, reitor do Santuário de São Benedito, e Antônio França, cuja gestão é bastante questionada, tendo como comparação a proatividade do gestor da cidade vizinha. Detalhe, esse combo uníssono, paz e amor, se desfaria nos meses seguintes. Para todos eles a única busca viável era o poder. No fim das contas, Vanessa, Fred e Simplício, levaram a melhor.

Hospital de Campanha Dr. Kleber Carvalho Branco (Foto/SES: Márcio Sampaio)

Falando em levar a melhor, ninguém conhece esse termo tão bem quanto Dr. Walber Rodriguez da Cruz, vice-prefeito eleito de Pedreiras, que não é famoso na cidade pela prática da filantropia. Foi num dos espaços inacabados de seu feudo hospitalar, que o hospital de campanha fora implementado, mas é importante entender o contexto.

Longe do bairro do Engenho, às margens da MA-381, na Rodovia João do Vale, que liga Pedreiras à cidade de Joselândia, há uma obra de competência do governo do estado. “Cronstrução de Hospital em Pedreiras”, a placa não nos deixa mentir. Orçada em R$ 8.030.016,17 e financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Relativamente nova, a placa se contrasta com uma obra morosa que ainda traz a marca do Governo Federal nos tempos da petista Dilma Rousseff. Esta foi afastada do poder em 2016. A obra a “viu” cair, Temer assumir e Bolsonaro quase morrer.  Em Pedreiras ele teria, pois o hospital para recebê-lo não estaria pronto. Os saudosistas exclamam, “já tivemos seis”.

No meio da “dívida histórica”, termos usados por Carlos Lula para descrever o déficit do estado no que tange o setor da saúde em Pedreiras, haja vista ser cidade polo do Médio Mearim, surge, não como um passe de mágica, a pandemia, que fez lotar os hospitais municipais e escancarou a realidade da saúde pública no Brasil. Em Pedreiras, o foco de luz incidiu, por algum tempo, sobre a obra inacabada do hospital regional, que se funcionado, teria salvo muitas vidas. O coronavírus, veloz e mórbido, não esperou.

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A placa com a logo do Governo Federal, quando Dilma Rousseff era presidente, mostra que a obra se arrasta por anos (Foto: Joaquim Cantanhêde)

Foi no programa Tribuna 101, da rádio FM Cidade de Pedreiras, que Simplício Araújo anunciara que o governo do estado instalaria, em parceria com a empresa Eneva, o tão esperado hospital de campanha, que se chamaria “Dr. Kleber Carvalho Branco”, em homenagem ao tio de Kleber Rondon Branco, diretor do Sistema Cidade de Comunicação e histórico aliado político do secretário. Há de se reconhecer a importância inegável de Dr. Kleber Carvalho Branco enquanto médico e político, mas há também se ratificar que a história da saúde e da política local transcende a cozinha da família branco, mas esse não é o x da questão.

O Hospital de Campanha Dr. Kleber Carvalho Branco surge como medida emergencial diante dos altos índices de contaminação por Covid-19 na Região do Médio Mearim e sua pressão sob as gestões de saúde municipais. Para o governo do estado espaços não ocupados dentro do Hospital Dr. Walber Rodrigues da cruz seriam viáveis para a instalação e inauguração, “até quinze dias”, dissera Simplício durante prosa na rádio. O prazo não fora cumprido. Mas isso é peixe pequeno na lista do não comprimento de prazos do secretário, que de duas uma: não manda bem com futurologia ou costuma gerir a coisa pública sem apego ao que se chama de previsibilidade. E olha que estamos falando de administração pública.

Passados seis meses de seu efetivo funcionamento, o governo do estado comemora os números alcançados: um total de 314 pacientes admitidos, 27.423 exames realizados e 59. 250 atendimentos médicos e multidisciplinares. O dados são provenientes do governo do estado e da Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (EMSERH) e correspondem ao período entre 15 de junho e 15 de novembro.

“A garantia de tranquilidade a Pedreiras e dezenas de municípios que já tiveram pacientes salvos pelo Hospital de Campanha Dr.Kleber Carvalho Branco, parabéns a todos os anjos funcionários e em especial aos profissionais de saúde e médicos. Orgulho de ter garantido esse Hospital ao lado do Governador Flavio Dino e Empresa Eneva”, comemorou Simplício em suas redes sociais.

Há, contudo, outros números não tão latentes e de igual interesse público que se chocam com a promessa feita por Simplício, durante a inauguração. A locação do Hospital Dr. Walber Rodrigues custa mensalmente aos cofres públicos, R$ 80.000,00. Com a pandemia em queda no Maranhão, a solução via vacina ainda incerta e já se falando em 2° onda em outros estados do Brasil, lá se vão R$ 560,000 (total de 7 meses) que o poder público poderia estar investindo no Hospital Regional de Pedreiras no Maranhão se a obra tivesse sido entregue na data prevista.

Às margem de uma campanha política, em que Simplício teve lado e cor, usou novamente seu “canal oficial” para prometer que o hospital seria entregue, o mais tardar, até novembro de 2020. Por ocasião da inauguração do Hospital de Campanha Dr.Kleber Carvalho Branco, ao ser indagado pelo repórter Chico Corinto, da TV Rio Flores, com o entusiasmo que lhe é cotidiano, o secretário Simplício Araújo dissera: “É uma dívida histórica que o governo tem com a região e tenho certeza que o governador vai entregar ele em novembro”.

“É um hospital que todo o povo pedreirense já espera há bastante tempo e, em breve, nós iremos entregar este investimento importante em saúde para a cidade’, finalizou o secretário, citando que a previsão de inauguração é para o mês de dezembro”, informa matéria publicada no site do governo do estado, da qual o secretário é parte. Era 22 de Outubro e desde junho passara a vistoriar a obra com mais frequência, inclusive divulgado em suas redes sociais. Na mesma data, “dezembro” também foi a aposta feita por ele em entrevista à TV Ouro Vivo/Difusora: “Devemos entregar em dezembro o hospital regional do governo do estado”.

Antes disso, no dia 01 de Setembro, durante divulgação da obra “Parque João do Vale”, o secretário Simplício Araújo fez um apanhando das ações do governo do estado em Pedreiras. A reunião fora transmitida por diversos veículos, incluindo a rádio FM Cidade de Pedreiras. Ao fazer menção à obra do hospital regional foi taxativo: “Nós vamos concluir esse hospital até o final do ano. O governador está dando toda atenção para que a gente possa sair do hospital que é locado atualmente já para aquela unidade”.

Quem leva a melhor?

Novembro chegou, o sino badalou em honra a Benedito. Em dezembro, nem mesmo o Natal trouxe a concretude de uma obra que sempre fica para depois e quem leva a melhor com isso?

O portal O Pedreirense adentrou a obra, paralisada por conta do Natal. A julgar pelas fotografias, percebe-se que 2020, ao contrário do que fora ventilado pelo secretário, não será o ano de entrega de uma unidade de saúde. Os pedreirenses e seus conterrâneos do Médio Mearim terão que esperar um pouco mais.

Segundo informações, esse depois é abril, mês de aniversário da cidade. O dia 27 costuma ser dedicado às inaugurações e cortar a fita inaugural de uma obra estadual tem lá suas repercussões. Caberá a Vanessa Maia sair na foto do tão grandioso feito.  De acordo com uma fonte, a data prevista para a conclusão da obra é 17 de fevereiro. Até lá o estado deverá continuar injetando R$ 80.000,00 mensais num estabelecimento do setor privado.

Até aqui, o hospital regional vai ganhando contornos de ponte. Simplício é por vezes criticado por adversários e populares também por uma promessa não cumprida, isso quando era deputado federal. Sete milhões de reais (R$ 7.000.000) foi o suposto valor destinado à construção da segunda ponte sobre o Rio Mearim entre Pedreiras e Trizidela do Vale, como informa o site www.simplicioaraujo.com.br. Que destino tomou a emeda? Ponte com certeza não e a antiga Francisco Sá continua sendo o único meio de ligação entre Pedreiras e Trizidela.

O que os citados dizem?

Ao secretário de Estado de Indústria e Comércio, Simplício Araújo, indagamos no dia 03 de dezembro, quando sugiram rumores de que o hospital não seria entregue:

“Você poderia me informar a data prevista para a inauguração do hospital regional de Pedreiras?”, indagou a jornalista Mayrla Frazão, repórter do O Pedreirense.

Print do “diálogo” com Simplício Araújo (Reprodução: Joaquim Cantanhêde)

Voltamos a indagá-lo durante a escrita dessa matéria:

“O Hospital Regional de Pedreiras será entregue ainda em 2020? Se não, por qual razão?

O que lhe levou a acreditar que seria entregue em novembro, sendo que pelo que constatamos, ainda há muito por ser feito?

Procede a informação que obtivemos, de pessoas ligadas à obra, de que a data para ser finalizado é 17 de fevereiro?

O governo vislumbra uma data para o fim locação do hospital Dr. Walber Rodrigues da Cruz, cujo anexo se encontra o Hospital Dr.Kleber Carvalho Branco?”

Simplício retornou nosso contato enviando uma figurinha com sua imagem e a frase: Feliz Natal!”. Nada além disso até o fechamento desta matéria. Também não obtivemos retorno de Carlos Lula, secretário de Estado da Saúde, à quem direcionamos os mesmo questionamentos.

FOTOGRAFIAS DE UMA OBRA QUE FAZ TEMPO

Mayrla Frazão e Joaquim Cantanhêde, repórteres do O Pedreirense, mostram a quantas anda a construção do Hospital Regional de Pedreiras, localizado na Rodovia João do Vale (MA-381), próximo ao bairro do Diogo. Com entrega prometida, pelo governo do estado, para o fim de 2020, concluí-la até 17 de fevereiro de 2021, como revela uma fonte ouvida, vai requerer ampliação da mão de obra.


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Construção do Hospital Regional de Pedreiras, às margens da MA-381, em Pedreiras, Maranhão (Foto: Mayrla Frazão)
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Construção do Hospital Regional de Pedreiras, às margens da MA-381, em Pedreiras, Maranhão (Foto: Mayrla Frazão)
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Construção do Hospital Regional de Pedreiras, às margens da MA-381, em Pedreiras, Maranhão (Foto: Joaquim Cantanhêde)
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Construção do Hospital Regional de Pedreiras, às margens da MA-381, em Pedreiras, Maranhão (Foto: Joaquim Cantanhêde)
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Construção do Hospital Regional de Pedreiras, às margens da MA-381, em Pedreiras, Maranhão (Foto: Mayrla Frazão)
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Construção do Hospital Regional de Pedreiras, às margens da MA-381, em Pedreiras, Maranhão (Foto: Mayrla Frazão)
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Construção do Hospital Regional de Pedreiras, às margens da MA-381, em Pedreiras, Maranhão (Foto: Mayrla Frazão)
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Construção do Hospital Regional de Pedreiras, às margens da MA-381, em Pedreiras, Maranhão (Foto: Mayrla Frazão)
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Construção do Hospital Regional de Pedreiras, às margens da MA-381, em Pedreiras, Maranhão (Foto: Joaquim Cantanhêde)

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Joaquim Cantanhêde
Joaquim Cantanhêdehttp://www.opedreirense.com.br
Jornalista formado pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
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