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quinta-feira, janeiro 22, 2026

Enquanto a justiça dança valsa, um investigado da PF coloca seu bloco na rua

O cabo eleitoral de Larissa DP, entre a luz e o escuro


Não faz muito tempo, em Pedreiras, interior do Maranhão, ninguém saberia dizer quem é Larissa DP (MDB). Agora, às vésperas de uma eleição em que os cidadãos escolherão, inclusive, deputados estaduais, já vemos carros adesivados com o nome da advogada, que tem, entre seus fiadores eleitorais, o deputado Fred Maia (PDT) e sua esposa Vanessa Maia (União), prefeita.

Larissa não anda sozinha. O ‘DP’ herdou do empresário Eduardo Costa Barros, vulgo ‘Eduardo Imperador, esposo e sem sombra de dúvidas seu maior cabo eleitoral. Uma figura que se equilibra entre aparecer, exercer influência, mas delegando à sua cônjuge a tarefa de brilhar.

Eleitores prudentes, com uma básica pesquisa no Google, vão descobrir que a relação do empresário com a política e os políticos vem de longas datas e nem sempre, a julgar pelas acusações que lhe são imputadas, a coisa teria se limitado a apertos de mãos e tapinhas nas costas.

Apesar de atuar mais nos bastidores, Eduardo, que é natural de Dom Pedro, vem rendendo manchete nos últimos anos, algumas delas em jornais “de grande porte”. “Investigação”, “desvio” e “dinheiro público”, são termos que o acompanham nas coberturas jornalísticas de casos com natureza nada republicana. Nelas, com base em investigações tocadas pela Policia Federal (PF), ele é apontado como o sócio oculto da Construservice.

A empresa é uma das peças de uma história que também envolve o ex-ministro das Comunicações, Juscelino Filho e Luanna Rezende, irmã do ministro e em 2023, então prefeita de Vitorino Freire, por ocasião da Operação Odoacro, chegou a ser afastada da função por decisão de Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido de busca e apreensão contra o ex-ministro de Lula, feito pela PF, foi negado por Barroso.

Juscelino foi denunciado ao STF, pela Procuradoria Geral da República (PGR) em 2025.

“A PGR aponta que, no exercício do cargo de deputado federal, Juscelino Filho enviou emendas parlamentares para a Prefeitura de Vitorino Freire (MA), que era comandada por sua irmã Luanna Rezende, e recebeu propina pelas obras executadas. Parte dos recursos foi repassada à prefeitura por meio da estatal Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba).

Em seu relatório final sobre a investigação, que baseou a denúncia da PGR, a Polícia Federal detectou que houve fraude nas licitações para pavimentação asfáltica da prefeitura com o objetivo de entregar as obras ao empresário Eduardo José Costa Barros, o Eduardo DP. Em troca, de acordo com o relatório, o empresário teria feito pagamentos de propina a Juscelino por meio de laranjas.

A PF encontrou diálogos nos quais Juscelino teria orientado o empresário a contratar uma empresa de consultoria ligada à prefeitura com o objetivo de viabilizar as fraudes”, destacou apuração do Uol.

Após ser denunciado, Juscelino deixou o governo, mas negou culpabilidade: “a decisão de sair agora também é um gesto de respeito ao governo e ao povo brasileiro. Preciso me dedicar à minha defesa, com serenidade e firmeza, porque sei que a verdade há de prevalecer. As acusações que me atingem são infundadas, e confio plenamente nas instituições do nosso país, especialmente no Supremo Tribunal Federal, para que isso fique claro. A justiça virá”.

Não vindo, até aqui, com condenação ou absolvição, para Juscelino, Luana, pré-candidata a deputada estadual, DP e Construservice, vida que segue, de preferência com a política e políticos por perto.

A mais recente notícia tendo Eduardo DP como personagem é de novembro de 2025. “Quem é o empresário que fez ‘Pix’ de R$ 5 mil para secretária de Ministério do Turismo?”, questionou o título de reportagem publicada no Uol.

O texto (confira) cita a prisão do empresário em 2023. Sobre a acusação nenhuma novidade: “operar um esquema de venda de emendas parlamentares”. Em 2022 ele chegou, como se diz no popular, a “ver o sol nascer quadrado”, por cinco dias, mas encontrou a liberdade após pagamento de R$ 121 mil em fiança.

Além de citar o passado mais recente do homem à sombra de Larissa, a matéria destacou que, segundo investigação da PF, seu nome apareceu ligado ao Ministério do Turismo.

“A apuração da PF gira em torno de três emendas parlamentares, que somam R$ 6,7 milhões, e foram supostamente vendidas por três deputados federais do PL: Josimar Maranhãozinho (MA); Pastor Gil (MA); e Bosco Costa (SE)”.

Supostamente teria havido liberação de verbas em pelo menos três convênios tocados pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Franscisco, a Codevasf, que tal qual DP e Juscelino, acumula suspeitas de irregularidades relacionadas às emendas parlamentares. É com esse histórico, no mínimo questionável, que Eduardo e sua esposa aterrissam no Médio Mearim. Desde 2025 a presença deles se intensifica, tendo como objetivo eleger Larissa deputada federal. O chamado DP Folia, com edição em Pedreiras marcado para o dia 31, é parte desse processo de imersão com claras intenções eleitorais.

O OP encaminhou, ao empresário, algumas indagações, mas até aqui não houve retorno.

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Joaquim Cantanhêde
Joaquim Cantanhêdehttp://www.opedreirense.com.br
Jornalista formado pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
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