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quinta-feira, julho 18, 2024

Educação na pandemia: o ano letivo de 2020 está perdido?

Você com certeza já deve ter se questionado sobre os caminhos da educação neste ano de 2020. A suspensão das aulas presenciais, em virtude da pandemia da Covid-19, modificou o cotidiano de milhares de estudantes trazendo incerteza aos pais, alunos e até mesmo ao corpo docente que adotou a tecnologia como principal aliado neste novo cenário.

A interrupção das aulas presenciais afetou estudantes da rede pública e privada na educação, mas foi somente no sistema público que os obstáculos do ensino e aprendizagem se intensificaram. Dentre as muitas indagações, a acessibilidade a essas novas tecnologias, principalmente ao acesso à internet, foi pauta em muitas discussões.  Segundo uma pesquisa feita pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), em 2018, cerca de 58% dos domicílios no país não tinham computadores e 33% não possuíam internet, números que acentuaram a desigualdade educacional durante a pandemia da covid-19.

Em Pedreiras, Maranhão o cenário não foi diferente. Escolas municipais e estaduais pararam as atividades no início do ano e tiveram que reeducar professores, alunos e pais ao acesso remoto. A pausa nas duas escolas estaduais da cidade, escola Olindina Nunes Freire e Oscar Galvão, se estendeu somente entre os dias 17 a 26 de março, de acordo com o Gestor Regional de Educação Marcio Sampaio, logo após iniciou-se o ensino à distancia para os alunos que tinham acessibilidade.

“No primeiro momento pensamos no ensino remoto, mas como a pandemia se estendeu e muitos alunos não tinham acesso, não poderíamos deixar esses alunos que estavam sem aula à mercê sem educação, então no retorno das férias dos professores, no dia 10 de agosto retornamos com o ensino remoto em todas as escolas da região, mas principalmente com a disponibilização do material impresso de planos de estudo, atividades voltadas principalmente para os alunos da zona rural”, relatou o Gestor Ragional de Educação.

O engajamento redobrado dos alunos durante esse novo cenário é a principal solicitação dos gestores que trabalham também com a família para auxiliar e incentivar os estudantes em casa. “Nós temos muitos alunos com dificuldades, mas estamos trabalhando também com os pais através de grupos do WhatsApp. Nesse momento os alunos precisam participar e se engajar mais, por isso deixo um recado a eles: ‘vamos lá, alunos, vamos participar. Vocês conseguem! Vocês são inteligentes!’.”, ressaltou a gestora pedagógica do colégio Oscar Galvão, Imirene de Araújo Vieira em nome da equipe que auxilia e monitora o processo remoto, professora Maria José, Francisca Mesquita e a supervisora Anísia.

Gestora pedagógica do colégio Oscar Galvão Imirene de Araújo Vieira (Foto: Mayrla Frazão)

No dia 23 de julho o senado aprovou uma Medida Provisória (MP) que desobriga o cumprimento de mais de 200 dias letivos nas instituições de ensino, seja em creches, escolas ou no âmbito acadêmico. Esta MP estabelece que somente neste ano de 2020 esta flexibilização aconteça, assim, as escolas estão trabalhando para cumprir 800 horas mínimas.

A estudante do 2 ano do ensino médio, Cristiene de Araújo, conta sobre as dificuldades que enfrentara no início das aulas remotas. “Eu busquei ajuda de uma pessoa que trabalha na escola pelo Whatsapp e ela foi me orientando. Não está sendo muito fácil porque os professores pensam diferentes e cada matéria tem sua utilidade. Algumas matérias eu consigo entender outras não”, relatou a estudante que mora na zona rural próximo ao morro da Coama, exceção no grupo campesino que possui acesso à internet e a um aparelho eletrônico.

Educação nas escolas municipais em meio à pandemia

No município, as escolas foram mais prejudicadas devido ao período em que se estendeu a paralização das aulas presenciais. De 17 de março de 2020 até o dia 05 de junho, não foi realizado nenhum tipo de atividade voltado ao processo ensino-aprendizagem, devido ao período de isolamento social. De acordo com a Secretária Municipal de Educação, Débora Regina “não teve-se condições de organizar o ensino remoto”.

Além da pandemia que assolou a população pedreirense, as instituições públicas também tiveram que enfrentar o dilema anual das cheias do Mearim, o que atrasou ainda mais o processo de ensino. “praticamente todos os Estabelecimentos de Ensino, localizados na sede do município receberam famílias vítimas das cheias”, como ressalta a Secretária Municipal da Educação, o que impulsionou ainda mais o atraso em idealizar as aulas remotas.

Foto reprodução: moradores alojados na escola Zeca Branco devido à enchente de 2018 (Foto: Joaquim Cantanhêde)

As atividades retornaram no dia 08 de junho de forma remota, onde anteriormente foram realizadas reuniões online com Gestores e Supervisores Escolares, discutindo sobre a situação de cada escola, apresentando orientações normativas de como seria realizado esse trabalho “novo” para muitos profissionais.

Hoje, todas as 16 escolas localizadas na cidade e as 19 escolas localizadas na zona rural estão desenvolvendo atividades remotas, após a reorganização do calendário escolar como previsto na MP que tira a obrigatoriedade dos 200 dias letivos, quer utilizando meios digitais ou atividades impressas, segundo informações da Secretaria Municipal de Educação.

Nas escolas localizadas no campo, sete não têm acesso à internet, por isso estão sendo feitas atividades impressas. Mas as indagações sobre o ano letivo incerto de 2020, perpassa principalmente pela desigualdade deste ensino, uma vez que, nem todos os estudantes e pais estão de fato recebendo esse amparo e orientação, como afirma Antônia Gomes, mãe do pequeno Anderson Cardoso, de 9 anos que está desde a pausa das aulas sem estudar

“Nunca chegou nenhuma atividade para ele e nunca entraram em contato comigo para que eu recebesse atividade. Fico preocupada, porque ele já está muito atrasado no ensino. E aqui em casa não temos acesso à internet”, ressaltou a moradora do povoado Baixa fria.

A gestora adjunta do Colégio Municipal Zeca Branco, Edinalva Felismino, ressalta que apesar das dificuldades enfrentadas neste ano, nem tudo está perdido. “É verdade que temos vivido muitas situações difíceis, mas não acredito que o ano esteja perdido. Quantas oportunidades de aprendizado os filhos estão vivenciando em família. Não somente conteúdos, mas coisas simples para a vida das crianças, que devido à correria não dava tempo”, finalizou

O Gestor Regional da Educação apresenta uma proposta do governo para ajudar os estudantes que estão desmotivados. “Muitos têm questionado se esse foi um ano perdido, muitos pais e estudantes preocupados, por isso estaremos implementando um programa chamado ‘busca ativa’, que é o processo de buscar o estudante que está desacreditado para que ele não evada da escola. E tudo isso está sendo feito porque a gente acredita em nossa educação”, declarou Marcio Sampaio.

Por Mayrla Frazão

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Mayrla Frazão
Mayrla Frazãohttps://www.opedreirense.com.br
Jornalista - Centro Universitário de Ciências e Tecnologia do Maranhão (UniFacema)
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