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domingo, abril 14, 2024

Dia do Professor na pandemia: “médicos” da educação

Não é somente na saúde que se destacam os verdadeiros heróis da pandemia que assolou o mundo em 2020. Um ano em que a desigualdade evidenciou o distanciamento que separa as classes sociais mais ricas das mais pobres e impactou diretamente no ensino e aprendizagem de milhares de alunos, pela falta de suporte e compromisso das autoridades para com o sistema de ensino público, que atende cerca de 45 milhões de estudantes no Brasil.

É nesse contexto que visualizamos o grande papel e responsabilidade dos profissionais da educação que atuam, não somente na pandemia, como “médicos” da educação, em um momento delicado, onde grande parte dos estudantes se veem desmotivados a continuarem os estudos longe da sala de aula, tanto pela falta de aparatos tecnológicos, quanto pela falta de estabilidade emocional, um desafio ainda maior aos profissionais que se esforçam diariamente para salvar a educação no Brasil.

No dia 15 de outubro, Dia do Professor, o significado continua sendo o mesmo, mas o sentimento é de mudança, àqueles que se encontram distantes da presença física de seus aprendizes. “O processo não é o mesmo, definitivamente. Logo no início das aulas remotas, sentia-me solitária e até desestimulada. Hoje percebo, ainda mais, que é nesse contato rosto a rosto que posso dar um melhor feedback. No presencial, consigo de forma fluída manter uma dinâmica mais aproximada e sensível. Apesar de nossas reinvenções metodológicas cotidianas, nada – absolutamente nada – se compara a presença real dessa turminha de jovens. Faz muito mais sentido quando perto, próximos, na acolhida”, ressaltou a professora e socióloga Andrea Serrão.

Além das dificuldades de estarem longe da sala de aula, muitos professores tiveram que se adequar à nova forma de ensino. De acordo com um levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais, quase 90% dos professores não tinham experiências com aulas remotas, antes do período pandêmico. Atualmente cerca de 42% desses profissionais não tiveram o treinamento necessário para o manuseio tecnológico, o que dificultou ainda mais o processo educacional em muitas cidades do Brasil, de acordo com o estudo da UFMG.

“A minha maior dificuldade foi fazer com que os alunos e os pais acreditassem nesse novo método de ensino. É uma realidade nova e que ainda é um pouco complicada. No inicio tive dificuldades com a tecnologia, mas hoje já me acostumei a gravar vídeos e preparar as aulas”, destacou a professora Andréa Ferreira da rede pública de ensino, que finaliza expressando o impulsiona sua missão de educar: “ o maior incentivo do professor é ensinar o aluno e ver o retorno desse ensinamento na vida de cada um”, concluiu.

 Mas afinal, o que seria do aluno sem o educador?

Aqui nos cabe a importante reflexão de entender o impacto dessa pergunta em uma sociedade que desvaloriza a única profissão que está para todas as profissões. Assim afirma Paulo Freire, uma das maiores personalidades da educação brasileira: “ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário”, ressaltou em seu texto “Verdades sobre a profissão de um professor”.

Entender que o valor do ensinar e de receber o conhecimento são processos de construção social de todo e qualquer indivíduo é essencial para pautar este reconhecimento e para desenvolver bons professores, consequentemente bons alunos. O professor é um mediador do conhecimento, mas além de transmitir o saber, ele agrega significado à vida de seus alunos e tem o curioso poder de se eternizar, deixando o nome próprio de lado e assumindo o codinome: professor (a).

“Cada professor tem um papel importante na vida de um aluno. Alguns mudam totalmente o nosso dia apenas com sua presença. O professor é rico em felicidade, e nos ajuda no que não sabemos, aprimora os nossos conhecimentos e nos faz ter gosto pela matéria. No dia dos professores, às vezes nem ligamos, mas para eles é um dia tão importante, quanto o dia das mães, pois exercem sua profissão com muito amor, e alguns até tratam os alunos como se fossem filhos. Eles são os grandes mestres da vida”, ressaltou a estudante Lawana Ferreira, de 15 anos.

Por: Mayrla Frazão

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Mayrla Frazão
Mayrla Frazãohttps://www.opedreirense.com.br
Jornalista - Centro Universitário de Ciências e Tecnologia do Maranhão (UniFacema)
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1 COMENTÁRIO

  1. Nossa🤩 que bacana! Sinto-me tão lisonjeada em somar com vcs, pela partilha, respeito e valorização mútua! E seguimos, pq a Educação é processo, é troca, é reciprocidade, parceria, aprendizado contínuo, é esperança, é luta. Por isso, avante, todas e todos! Nós que nos empenhamos, diuturnamente, com esmero, paixão e qualidade para cumprir essa jornada docente. Trajetória essa que ganha ainda mais sentido quando estamos juntes de nossas(os) estudantes, impulsionando-as(os) em suas potencialidades para formação de uma sociedade mais reflexiva e mobilizada. Somos força, somos muitas(os), docentes e discentes, somos potência, presente-futuro! Dedico essa homenagem a vcs tbm, companheiras(os) de luta da Educação!

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