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quarta-feira, julho 17, 2024

‘Deixa as palmeiras em pé’’: as vozes das quebradeiras fortes como o babaçu

O 24 de setembro é Dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, cuja trajetória é marcada pela defesa do território, luta por direitos e inúmeras conquistas, que impulsionam protagonismos, em especial das quebradeiras. No Maranhão, dentre as muitas organizações na qual se articulam, destaca-se O Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (@miqcb_): “tem como missão organizar as quebradeiras de coco babaçu para que conheçam seus direitos, a fim de promover a autonomia política e econômica em defesa das palmeiras de babaçu, dos territórios, do meio ambiente e da luta pela melhoria de suas condições de vida e de suas famílias, com base no bem viver”.

Durante esta semana, quebradeiras da região do Médio Mearim ocuparam nosso feed, trazendo sentidos para o que entendem “ser quebradeira”. Na produção desta pauta contamos com o suporte de @aurinhasales e @pereirafernandesdarlan.

Quebradeiras cantam durante eleição da mesa diretiva da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Lago do Junco e Lago dos Rodrigues -AMTR (Vídeo; Joaquim Cantanhêde)

Maria Alaídes Sousa, coordenadora geral do MIQCB (Foto: Joaquim Cantanhêde)

“As perdas estão no campo do território, das políticas conquistadas e aí cito os conselhos. Os direitos trabalhistas para nossa juventude, que trabalhando aqui, no Mato Grosso ou no agronegócio, perderam seus direitos. Também nossos servidores públicos, afinal, as quebradeiras fazem essa aliança com o povo da cidade. Outra perda irreversível que vemos é o aumento das injustiças causadas por violência, em relação às mulheres, cujo índice aumentou: psicológica, mental e física. Isso em toda área de atuação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB).

Neste 24 de setembro, Dia Estadual das Quebradeiras de Coco Babaçu, a voz de Maria Alaídes Sousa, coordenadora geral do MIQCB, pontua sem gaguejar, o ataques de um governo que as quebradeiras chamam de “genocida” e não por acaso, já que os dados corroboram. “Os últimos dez anos totalizaram 10.077 ocorrências de conflitos por terra. Na década anterior – 2001 a 2010 –, foram registrados, no total, 6.050”, aponta o relatório “Conflitos no Campo Brasil 2019”, de autoria da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Ainda segundo o documento “os dois anos de governo de Jair Bolsonaro foram os de maior registro de ocorrências de conflitos por terra na série histórica”. O Maranhão, gerido por Flávio Dino encabeça a lista com 1.772 ocorrências.

“O papel do MIQCB é estar à frente do combate à violência, privatização, a invasão das terras causada pelo Matopiba, que é o agronegócio que tá aí. Dizer também um basta por envenenamento por aviões. Estamos aqui para dizer: ‘Deixa as palmeiras em pé, pois fica também uma mãe de família em pé”, exclama Maria Alaídes, com firmeza.


“Ser quebradeira é uma conquista que precisa ser valorizada pelos governantes. Por que falo isso? Até pouco tempo a gente tinha vergonha de dizer que era quebradeira de coco babaçu. É uma profissão desvalorizada, mas hoje temos o prazer de demostrar nossa identidade. Não é vergonha. É uma luta que se teve, pois a gente se chamava de doméstica, mas não ganhávamos para fazer as coisas em casa. Quem nos dá dinheiro de verdade é o babaçu que quebramos. Ele é tudo na minha vida”, destaca a quebradeira Sebastiana Ferreira Costa Silva, de 61 anos, que é parte da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Lago do Junco e Lago dos Rodrigues–MA (AMTR).

Dentre os muitos avanços oriundos da atuação das quebradeiras articuladas, Sebastiana destaca a Lei do Babaçu Livre, que lhes garante o direito de livre acesso e uso comunitário das pindobas, mesmo em propriedades privadas. “Se não fosse a AMTR acredito que nosso babaçu estaria bem mais difícil. Para nós os babaçuais tem valor em pé. Se não fosse a associação as palmeiras já teriam tombado, pois eles (fazendeiros) derrubavam sem piedade. Através da AMTR conseguimos a lei de livre acessos aos babaçuais”.


Emília Bernardina da Silva (64 anos), que desde o sete anos é extrativista do babaçu (Foto: Joaquim Cantanhêde)

“A gente sustentou a família todinha. Os filhos que tivemos não estão quebrando coco como a gente quebrava. Estudaram e estão em outra vida. A luta pra gente foi uma vida: lutamos pela terra e pelo babaçu. Com isso nunca abandonamos a AMTR, uma associação de luta”, relata Emília Bernardina da Silva (64 anos), que desde o sete anos é extrativista do babaçu.


Maria das Dores Pessoa da Silva (58 anos), quebradeira de Coco Babaçu e uma das protagonistas da Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Lago do Junco e Lago dos Rodrigue-AMTR (Foto: Joaquim Cantanhêde)

“O coco tem me ajudado bastante. Ajudou a criar meus irmãos. Criei meus filhos quebrando coco. A educação que dei para eles foi do coco. Se hoje os dois estão formados e morando na capital, agradeço, pois o coco me ajudou muito. A palmeira dá muito resultado a quem dá valor pra ela”, relata Maria das Dores Pessoa da Silva (58 anos), quebradeira de Coco Babaçu e uma das protagonistas da AMTR.

“A gente reivindica nossos direitos através da AMTR. Ela defende o meio ambiente, principalmente nossos babaçuais. Defende os direitos das mulheres trabalhadoras rurais. Fui uma das fundadoras e a defendo”, destaca a extrativista.

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Joaquim Cantanhêde
Joaquim Cantanhêdehttp://www.opedreirense.com.br
Jornalista formado pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
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