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sábado, julho 20, 2024

Bolsonaro, a semente de um terrorismo que deu frutos

OPINIÃO


Penso que o segundo domingo do ano de 2023 deverá ecoar por muitos outros. E é bom que assim o seja. Não se pode focar na melhoria de um país com forças nefastas o empurrando para o abismo de um golpe de estado. A democracia é basilar, é fundamento e todo o resto não funcionará, como deveria, se nosso alicerce é cotidianamente sacudido. Nosso chega precisa ser em alto e bom tom. Não falta lei para dizer o que deve ser feito.

O que se viu à sombra dos Três Poderes sacudidos foi crime. A pauta levantada em portas de quartel é criminosa. É sempre oportuno lembrar ser criminoso crime evocar golpe de estado, intervenção federal, ainda mais em função da perda em eleições comprovadamente seguras, inclusive o perdedor só fora um dia vencedor em razão do crivo popular nas urnas. O que se viu em Brasília foi uma baderna terrorista de quem não sabe perder, de quem odeia o Brasil simbolizado por Lula. Mais do que eventuais erros da gestão Lula, o que incomoda essa gente é o Brasil que existe, que é visto, com Lula no poder.

Nesses dias, tenho matutado sobre as veredas que nos conduziram ao dia 8 de janeiro de 2023. A referida tentativa de golpe é uma planta regada já há muito tempo, adubada por omissões, inclusive, de instituições da democracia, de agentes que agora ladram, sem a devida autocrítica, como se parte alguma lhes pudesse ser imputada. Tudo o que um dia frutifica foi um dia semente.

Desde 2013, mais especificamente, passei a acompanhar, até por força da formação, a vida política do país. Haja folha nos livros de história para dar contar de tantos fatos. Haja memória. A minha faz questão de martelar em um recorte pontual. Ele é nítido.

“Nesse dia de glória para o povo brasileiro, tem um nome que entrará para a história nessa data pela forma como conduziu os trabalhos dessa Casa. Parabéns presidente Eduardo Cunha. Perderam em 64, perderam agora em 2016. Pela família e pela inocência das crianças em sala de aula, que o PT nunca teve. Contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São Paulo, pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff. Pelo Exército de Caxias, pelas nossas Forças Armadas, por um Brasil acima de tudo e por Deus acima de todos, o meu voto é sim”, disse o então deputado Jair Bolsonaro, no dia 17 de abril de 2016, durante votação que deu início processo de impeachment de Dilma Rousseff.

O hoje ex-presidente nunca negou sua aversão à democracia e tudo o que disse em desagravo a ela, enquanto presidente, fora pela força das circunstâncias e conveniências. Até então ele havia arrotado sua podridão totalitarista em programas de TV, que na era das redes, o trataram de torná-lo mais conhecido. Desta vez não. Ao evocar a memória de um torturador, com nítido prazer pelo pavor que causara a alguém, ele atacou a democracia, ali, na nossa cara, ao vivo pela TV. Bolsonaro é a semente do terrorismo que se viu no coração da República. Ele abriu a porta, ele foi o primeiro. Sem a devida penalização deste indivíduo, essa República, que o viu crescer, florescer e destruir, terá falhado em sua autoproteção.

O que aconteceu em Brasília é eco de um processo que se achou por bem combater com enfadonhas notas de repúdio. Não nos cabe agora ter memória curta. Muitos dos que agora apontam para o problema, trataram de ignorá-lo, tolerá-lo. De repente passou a ser saudável conviver com quem nos quer eliminar.

Imagine que você seja um judeu, morador de uma vila essencialmente judaica. De repente chegam pessoas declaradamente nazistas e com o tempo elas se tornem seus vizinhos, mesmo que fale como nazista, pregue o nazismo e tudo o que o implica. Há cabimento? Foi, de forma simplificada, o que ocorrera na versão brasileira do fascismo.

A história do fascismo Made in Brasil não é um meteoro que caiu do céu. Foi semente e agora é uma árvore de raízes profundas, que sufoca nossa democracia, afronta os poderes e emporcalha nossas instituições. Mas ao longo do processo, e nossa mídia tem parte nisso, preferimos chamá-los de manifestantes, isso quando as palavras já nos apontavam terroristas.

Não dá pra dizer que não sabíamos. O horizonte trazido pelo bolsonarismo nunca foi diferente do que se viu em Brasília. Os sinais sempre foram claros. Dando entrevista à Luciana Gimenez, vociferando na Câmara dos Deputados e se pronunciando como presidente, em rede nacional, o caminho sempre foi o mesmo. Bolsonaro é a semente, o primeiro, aquele que abriu a porta para os terroristas.

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Joaquim Cantanhêde
Joaquim Cantanhêdehttp://www.opedreirense.com.br
Jornalista formado pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
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