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Pedreiras
segunda-feira, agosto 8, 2022

Achados arqueológicos sob os pés da comunidade Alto de Areia

Essa localidade nossa é um mistério, em termos de descobertas


A História narra os acontecimentos do passado, mas a Arqueologia os revelam através do estudo de artefatos que evidenciam a existência de outras civilizações que por aqui já passaram. No entanto, encontrar tais vestígios não é algo tão comum e saber identifica-los, mais ainda. No povoado Alto de Areia, zona rural do município de Pedreiras, Maranhão, o nome faz jus ao lugar. Do alto do morro à areia que cobre o chão acoberta artefatos arqueológicos, consequentemente, histórias.

Dentre os diversos materiais encontrados no povoado, um em especial despertou a curiosidade de João Alves de Araújo [54 anos], morador do povoado. Há pouco mais de dois anos, ele encontrou uma vasilha de cerâmica enterrada no sítio em que reside, há 50 anos. Na época, o lavrador relembra que cavou o buraco para fazer caeira, uma espécie de forno improvisado no chão, muito comum na zona rural. Enquanto cavava, sentiu a pá no artefato que prontamente fora retirado.  Logo a descoberta atrairia o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional [IPHAN], por meio de um vídeo gravado por João e divulgado por seu sobrinho nas redes sociais.

“Aqui nesse povoado, você vê que ele é um pouco extenso, a gente sempre encontra algo quando estamos escavando. Essa localidade nossa é um mistério, em termos de descobertas. Todos os moradores quando vão fazer um alicerce, alguma coisa, eles detectam algo diferente. Essa casa minha, bem no canto tem um pote grande, só que ele está vazio. Eu limpei, coloquei pedra dentro e concretei”, contou seu João, com encanto sobre as descobertas deste lugar.

O IPHAN , após tomar conhecimento do achado arqueológico no Sítio da Família Araújo, enviou uma equipe de Arqueologia da Instituição que realizou uma visita ao local, entre os dias 30 e 31 de Janeiro de 2020. De acordo com o instituto, durante a visita foi constatado que o “Povoado Alto de Areia está situado em meio a um sítio arqueológico de alto potencial informativo”, relatou o IPHAN à nossa equipe.

Durante a visita, a equipe conversou com a população local, além de realizar o reconhecimento inicial do sítio e de seu contexto locacional. Também foi realizado o recolhimento da vasilha de cerâmica e de outras peças líticas e cerâmicos pré-históricos. Na época, seu João acompanhou todo o mapeamento realizado pelo IPHAN e ajudou a equipe a preparar o bem arqueológico.

“Foi cadastrado no Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão – SICG/IPHAN, instrumento desenvolvido para integrar os dados sobre o patrimônio cultural do Brasil. Ainda, a Prefeitura Municipal de Pedreiras/MA, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Pedreiras/MA e a Fundação Pedreirense de Cultura e Turismo foram comunicadas oficialmente quanto à identificação do sítio arqueológico e quanto à necessidade de que o IPHAN seja instado a se manifestar nos processos de Licenciamento Ambiental a fim de avaliar os impactos de empreendimentos localizados no município sobre os bens culturais acautelados”, afirmou o IPHAN.

A família Araújo chegou no povoado Alto de Areia em meados de 1973. Segundo seu João, na época, o volume do Rio Mearim, durante a cheia, era muito maior e por estar localizado em uma das partes mais altas da região, o local, possivelmente teria sido ocupado por outros habitantes, segundo relatou o IPHAN

A vasilha e as outras peças foram encaminhadas ao Centro de Pesquisa de História Natural e Arqueologia do Maranhão, em São Luís/MA, para realização dos estudos visando a obtenção de dados complementares a fim de se construir um conhecimento mais aprofundado do bem arqueológico em questão, permitindo compor um quadro que amplie a representatividade do acervo arqueológico local.

“Pretende-se, paralelamente, contatar profissionais parceiros de instituições nacionais na área da Antropologia Física (UFRJ, Museu Emílio Goeldi e UFPI) que possam prestar contribuição científica no aprimoramento dos resultados finais da pesquisa”, disse o IPHAN.

A comunidade, silenciosa e pacata, aguarda os resultados da pesquisa com esperança. Evidenciar a riqueza histórica do território e apresentar aos moradores as origens dos achados é o desejo do seu João. “Estou aguardando as pesquisas, sei que leva um tempo, mas tenho esperança de que um museu com os artefatos encontrados chegue em nossa comunidade”, relatou.

É importante ressaltar que o IPHAN, atua na proteção de achados arqueológicos, através de estudos sobre esses bens, para levar ao conhecimento da população as origens destes artefatos e devolver ao seu lugar de origem.

“Bens arqueológicos são bens da União e fazem parte do patrimônio cultural brasileiro, nos termos do Art. 20, inciso X, e Art. 216 da Constituição Federal. Conforme consta na Lei 3.924/61, mais conhecida como a Lei da Arqueologia, são proibidos em todo o território nacional seu aproveitamento econômico, destruição ou mutilação. A descoberta fortuita de quaisquer elementos de interesse arqueológico ou pré-histórico, histórico, artístico ou numismático, deve ser imediatamente comunicada ao IPHAN, para que as devidas providências sejam tomadas. Além disso, escavações para fins arqueológicos, em terras de domínio público ou particular, só podem ser realizadas após permissão do Governo da União, através do IPHAN”, destacou o instituto.

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Mayrla Frazãohttps://www.opedreirense.com.br
Jornalista - Centro Universitário de Ciências e Tecnologia do Maranhão (UniFacema)
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