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Pedreiras
segunda-feira, abril 15, 2024

A democracia dos babões

CRÔNICA


Dizem as fontes que Pedro, na hora do desespero, desembainhou uma peixeira e decepou a orelha de quem veio Cristo prender. O procurado o repreendeu. Quem bem do juízo, poderia matutar que o babão da noite seria um traíra pela manhã? Uma, duas, três, até que o galo cantou. Caiu na real, tendo na cabeça o peso de uma pedra rebolada ao rio. Conheceu o seu fundo do poço.

Babões fazem parte da história. Em todo canto há um, há dois. Apoiam-se, semelhante ao Quico em relação ao professor Girafales – ambos do seriado Chaves– a um elo pueril. Gente que sempre carrega, na cintura da estupidez, uma peixeira embainhada pronta para contar a cabeça de alguém. Na política eles se proliferam feito ortiga. Em Pedreiras (MA), cidade dos causos, se formos juntá-los, dará uma fila da ponte Francisco Sá a ponte do Insono. Oxalá que nenhuma das duas caia. Seria uma carnificina colossal. Afinal de contas, se existe uma coisa que não boia é a língua de babão.

Tal como Pedro – naquela altura longe de ser santo – negou quem dizia amar na noite anterior, a lealdade de um babão é tão frágil quanto as asas de uma mariposa. Você trisca e ela se desprende. Feito sacola de carniça à deriva no leito do rio, os babões e suas paixões são guiadas pela nau das circunstâncias. Danem-se os princípios, exploda-se a coletividade.

São bons vigias, é verdade. Em defesa de seus pupilos, raivosos, incorporam cães, cobras e lagartos, em um exibicionismo que os aproximam dos pavões. Nenhum líder se deu bem com a vista turvada no terreiro da circunstância. Como Deus não dá asa a cobra, tratou de colocar Pedro no devido canto. Há lugar na democracia para os babões?

Tenho pra mim que não. Todo babão só pensa em si, na peleja pela manutenção de um benefício imediato, mas com prazo de validade. No contexto da política, eles entram na arena a cada 4 anos, com mais intensidade.

A redes sociais trouxeram novos encargos à classe. Uma delas é enviar, com exaustão, figurinhas de seus preferidos. Manhã, tarde e noite. Você entra no grupo e tá lá, o sol, do “bom dia”, é a cara de alguém com quem mantem um elo de dependência. A democracia do babão é pequena demais para nós três.

Contra esse mal, não há melhor remédio do que lavar a cara e debulhar, sob o alpendre da vida e suas possibilidades, os bagos do conhecimento. É gostar do saber, de pensar com autonomia e fortalecer elos que tenham apego à coletividade. Educação neles.

Confira a Crônica no formato de áudio.


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Joaquim Cantanhêde
Joaquim Cantanhêdehttp://www.opedreirense.com.br
Jornalista formado pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
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