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domingo, abril 14, 2024

A “conversa água” de sempre

“Levantei 5h da manhã pra lavar roupa e não consegui, porque a água não chegou”, disse Jucélia da Silva, 30 anos, em 2020. Sua fala é parte da série de reportagens “Vidas Secas”, produzida pelo O Pedreirense, onde no centro esteve a histórica falta d’água em Pedreiras, em especial no morros e no campo.

Na quinta (10), essa história de décadas, teve mais um capítulo, no cenário de sempre, Câmara de Vereadores de Pedreiras, Maranhão, para ouvir da Companhia de Saneamento Ambiental do Maranhão (CAEMA) as explicações de sempre e nessa altura do campeonato, não assustaria o resultado: baldes vazios e vidas secas.

“Eles relataram que esse problema é antigo, como a gente já sabe. falaram que existe um projeto, desde 2017, para a melhoria da CAEMA, mas que necessita de uma ajuda (financeira) do Governo do Estado. Eles falaram que há duas bombas que vão funcionar a partir de setembro, numa balsa flutuante. Sai esperançoso”, destacou o vereador Neguim Silva (DEM), sobre a reunião com o Gerente Regional da CAEMA. O parlamentar destacou ser importante que se forme uma comissão a fim de ir a São Luís na busca de soluções a longo prazo.

“Tivemos a oportunidade de discutirmos soluções práticas para pessoas que sofrem com a falta d’água há anos nos bairros mais altos da cidade. Os mesmos se mostraram muito solícitos e vamos acompanhar de perto a definição do que agora é uma esperança. Se comprometeram de estarem informando a câmara, através de documentos, todas soluções que forem sendo tomadas”, pontou a parlamentar Iaciaria Rios (PODEMOS).

O professor e militante Jaime Ribeiro Lopes, colunista do O Pedreirense, também participou da reunião e apresenta um olhar não tão otimista quanto os vereadores Neguim e Iaciaria.

“Achei a pressão dos vereadores muito fraca, haviam poucos. Eles cobraram essa questão da manutenção, de ainda haverem canos antigos, prejudiciais à saúde. Cobraram essa questão que a CAEMA faz os buracos nas ruas e não deixa do jeito que encontrou, foi uma cobrança forte nesse sentido, e sobre a falta d’água nos morros, mas pouca resolução”.

Jaime menciona uma possível parceria entre a CAEMA e uma empresa no tocante ao asfaltamento dos buracos deixados pela fornecedora de água.  “Sobre a falta de água nos morros, eles praticamente não deram solução nenhuma. Disseram que para resolver precisaria de um orçamento grande, que eles não tem. E a CAEMA de Pedreiras não tem como resolver o problema”.

De reunião em reunião, de foto em foto, nesse debate histórico sobre orçamento e quem deve bancá-lo, são os pedreirenses mais vulneráveis socialmente que pagam uma conta mais cara. Enquanto soluções definitivas não se apresentam no horizonte, o poder público não pode se omitir. Esta não pode ser apenas uma luta da Câmara dos Vereadores, que precisa ser mais incisiva e pontual. É necessário que as comunidades afetadas sejam incluídas na luta, afinal, integram o contexto de maior impacto sobre o problema em pauta.

O poder público municipal também tem sua parte, pois foi eleito com a promessa de que traria soluções para as diversas demandas populares e entre a CAEMA e o povo, precisará escolher. Após décadas de falta d’água, não se pode encarar esse diálogo como uma prosa de compadres e comadres. Não é!

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Joaquim Cantanhêde
Joaquim Cantanhêdehttp://www.opedreirense.com.br
Jornalista formado pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI)
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