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domingo, abril 14, 2024

A ausência de identidade: e se a Covid-19 também vitimasse a festividade identitária do país?

“Não chore não, que eu vou saindo porta afora e até mais. É a razão quem manda agora.”

Foi com as letras da canção Coração de perda,  que Alcione se despedia de um grande amor que partiu por razões das quais são desconhecidas, mas que no entanto, lhe deixava com o coração em lamentos e é assim que possivelmente nos encontraremos em 2021, sem poder prestigiar o apogeu do samba em nosso país, sobretudo, as razões que se fazem presentes aqui é das mais graves, lidando com um enfretamento de um vírus, em que possíveis aglomerações são significado de perigo eminente. Os brasileiros também se vêem descontentes com o aceitável cancelamento do Carnaval em quase todos os estados do país. 

Atrelado diretamente ao carnaval, é importante que não nos deixe falhar a memória que antes de se tornar o principal elemento cultural e de grande contemplação em longas avenidas, o samba possui toda uma resistência de povos africanos que foram submetidos a colonização e depois escravizados, encontrando na dança, musicalidade, formas de resistir a truculência da supremacia branca. Mas foi apenas a maneira de comemorar que passou por redefinições, antes apenas cantado por pequenos grupos de amigos em esquinas dos bairros Brasil a fora. Hoje é absolutamente exaltada em avenidas iluminadas, com enredos que contam histórias de seus criadores e também pontos históricos das cidades que arrastam multidões em cada canto do país.

Prestigiar, no mês de fevereiro, folias, arrastões e escolas de samba, que marcam simbolicamente o início de qualquer ano, se transformou rapidamente em um hábito nacional, quase que indispensável, construindo desta maneira uma identidade própria aos brasileiros. Contudo, a Covid-19 colocou em dúvida sua indispensabilidade, ao passo que os números de mortes avançam, tristemente, dias após dias. Em entrevista à Revista Piauí, a costureira Edeneire Nascimento dos Santos, que trabalha todos os anos nas confecções de roupas carnavalesca, diz; “Com a pandemia acho justo que não haja carnaval. Se tivéssemos feito lockdown antes, não teria tanta gente afetada.”

Na sexta-feira, dia 22, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Maranhão e a Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem) se posicionaram contra a realização de eventos em todo o período de carnaval.  “A prevenção é uma forma de evitar mais mortes. Precisamos de um esforço coletivo em nome da vida e da saúde de nosso povo”, disse em documento assinado, Eduardo Nicolau, Procurador-geral da justiça.

Nessa manhã (25), entramos em contato com o secretário de cultura de Pedreiras, Raphael Branco, que ficou de retornar nosso questionamento sobre os impactos da pandemia na cultural festa de Carnaval da cidade Pedreirense.

É notório que o carnaval, em toda sua estrutura e preparação, pra ser realizado com maestria, é necessário que um número grandioso de pessoas estejam envolvidas. Caso todas as autoridades governamentais firmem por seguir as recomendações do Ministério Público do Maranhão e cancelem a festividades, resguardando a saúde de todos, com objetivo de frear o aumento no número de casos, 2021 já começa com uma triste, mas sobretudo necessária ausência da maior manifestação cultural do nosso povo.

Por Wellington Marques

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