ENTREVISTA
A paixão pelos livros começou ainda na infância, quando as histórias em quadrinhos e os livros infantis faziam parte da rotina dentro de casa. Anos depois, esse hábito de leitura se transformou em inspiração para a escrita e deu origem ao sonho de publicar a própria obra. Hoje, aos 30 anos, o professor e pedreirense Lucas Santos celebra a concretização do sonho de muitos escritores: a publicação de seu primeiro livro infantil, No Ritmo do Leão.
Em sua obra, Lucas decidiu escrever uma história que vai além do entretenimento. A leitura apresenta uma mensagem sobre criatividade, resiliência e a capacidade de encontrar novos caminhos diante das dificuldades. Por meio de personagens da floresta Wonga, o autor convida os pequenos leitores a compreenderem que, mesmo quando os planos não saem como esperado, sempre é possível se reinventar e transformar obstáculos em novas possibilidades.
Em entrevista ao jornal O Pedreirense, Lucas conta que sua obra, ilustrada por Juliana Mattos, também representa a realização de um projeto pessoal construído ao longo de muitos anos. Desde os primeiros textos escritos ainda na infância até o processo de buscar ilustradora, editora e espaço no mercado literário. O resultado já começa a dar frutos: o livro chegou à segunda tiragem e reforça o propósito do escritor de incentivar crianças a acreditarem que a imaginação, a persistência e a busca por soluções podem transformar qualquer história, inclusive a própria vida. Confira a entrevista!
O Pedreirense: A literatura sempre fez parte do seu cotidiano? Conte sobre o início da sua trajetória literária.
Lucas Santos: Começou quando criança, né? Minha mãe sempre comprava livros pra gente, no tempo da Bodega, ela sempre comprava as HQ’s da Mônica, do Ziraldo, o menino maluquinho. E depois, naquele tempo, das revistas Avon, eu sempre comprava algum livro. Todo mês tinha algum livro para comprar para a gente.
OP: E por que escrever um livro infantil?
LS: Com meu cargo de professor, né? Eu tenho esse contato com as crianças, e gostaria de passar essa mensagem para elas. No meu livro falo sobre encontrar novas soluções. É uma coisa que eu observei, não só em crianças, mas em adultos também que têm dificuldades em encontrar outras soluções. Sempre optam por aquela solução que já está mais óbvia para aquele tipo de problema. Então o que eu queria era passar essa mensagem.
OP: Que história é apresentada às crianças na sua obra?
LSB: É a história de um leão que ele toca para animar a floresta, então ele espalha essa alegria através da música. E assim, onde tem o abutre, que ele não gosta, sempre tem aquelas pessoas que não gostam do som ou da alegria dos outros, ele tenta, de alguma maneira, acabar com essa festa que os animais estão fazendo, porque para ele, ele acha barulhento. E assim, o leão, ao ter o seu instrumento, de música, não encontrar seu instrumento de música, ele tem que achar uma outra maneira de também fazer aquilo que ele continua fazendo, aquilo que ele gosta, que é fazer música e animar os seus amigos da floresta. Perfeito. Eu só vou dar uma

OP: E sobre o processo de escrita? O que te inspirou? Como foi escrever sobre os personagens?
Eu comecei em 2024. E no final do ano de 2024 eu tive a ideia de: “Ah, vou publicar o livro”. Desde criança eu escrevo vários textos. Então eu sempre quis publicar. Aí fui, pesquisei sobre as maneiras de publicação, encontrei a forma de publicação independente, e aí eu comecei o processo em janeiro de 2025, procurando ilustrador, editoras para publicar o livro. E foi esse o processo.
OP: E como foi esse processo da ilustração em si? Você acompanhou? Como era esse processo?
LS: Sim, quando eu encontrei a ilustradora Juliana Mattos, através do Instagram, a gente conversou e começou a trocar ideias, começou a conversar sobre como é que eu queria a ilustração, como é que ia acontecer, qual era a idade que ia ter para as crianças, para ela saber qual era o estilo de desenho que ela ia fazer. Então, ela fazia uma arte, ela me mandava para aprovação, eu aprovava e ela continuava. Sempre foi assim.
OP: E o que foi mais desafiador em todo esse processo de construção do livro?
LS: O processo de entrar no mercado, porque quando você entra com a editora, ela já tem os seus parceiros em algumas livrarias e isso ajuda a inserir a obra em alguns mercados. Agora, a publicação é independente, como é no meu caso, para entrar no mercado literário é bem mais complicado, porque você não tem os contatos.
OP: E como estão as vendas hoje?
LS: As vendas estão boas. Já tô na segunda tiragem do livro. A primeira parte já foi, agora já tô na segunda tiragem. E continuando o processo de vendas, principalmente através da livraria da minha mulher.
OP: Falando em leitura em si, quais são as suas referências? Que sejam nacionais, internacionais, o que você gosta de ler, quem você gosta de ler?
LS: As minhas referências são: Ziraldo, Monteiro Lobato, cresci lendo as histórias do Sítio do Picapau Amarelo. Internacional eu gosto muito do Dostoievski. O tipo de leitura que eu gosto muito é de ficção, fantasias e romances também.
OP: No livro você retrata uma floresta que você chamou de Wonga. Qual a origem desse nome?
LS: Eu estava precisando de um nome para a floresta, e eu gosto muito do filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. Com base no nome Wonka do protagonista, eu troquei o K pelo G, aí ficou Wonga.
OP: O nome parece ter raízes africanas.
LS: Isso que eu queria, que tivesse essa raiz africana e eu pensei em vários nomes, mas nenhum se encaixava, até que eu vi um vídeo no Instagram sobre a fábrica de chocolate. Eu acho que tudo isso faz parte do processo criativo, né? Você vê ali alguma coisa e tem como referência.

OP: Que mensagem você espera deixar para as crianças que vão ler a sua obra?
LS: A mensagem principal é que elas entendam que a gente pode achar outras maneiras. Problemas sempre vão surgir. E que a gente tem que buscar sempre maneiras de achar soluções para aquilo. Que a gente não possa só se lamentar. Ah, aconteceu isso. Não tem mais jeito. Já tentei a solução óbvia, que sempre tem. A gente sempre pode se reinventar.
OP: Se Lucas da infância pudesse conversar com você hoje, o que você diria a ele?
LS: Eu diria que estudar sempre é o grande futuro, né? Diria que deu certo as ideias e que hoje conseguimos.






